quinta-feira, 26 de novembro de 2015

A verdadeira batalha vencida nos Aflitos

Há 10 anos, o Clube Náutico Capibaribe começava a viver um dos momentos mais marcantes de sua história. Iniciava ali, em 26 de novembro de 2005, a Batalha dos Aflitos. Exatamente. Iniciava. Para os cineastas gaúchos, e para pobres adversários, a Batalha durou apenas um dia. Mero engano. Porque a Batalha durou quase um ano e só terminou mesmo em 18 de novembro de 2006, com um final feliz.

Normal que os gaúchos pensassem assim. Afinal, eles foram meros atores coadjuvantes. Já o ator principal (o Náutico) sempre participa da epopeias do começo ao fim. Em 2005, o sonho de voltar à Primeira Divisão após onze anos foi interrompida de forma trágica. Trágica, mas não definitiva. Definitiva se fossem com um clube qualquer, com uma torcida de modinha qualquer. Não definitiva para um clube maior que qualquer derrota e não definitiva para uma torcida apaixonada que sempre está com seu clube nos bons e nos maus momentos. Qual torcida permaneceria junto com o clube após uma derrota marcante? Poucas. Afinal, encher estádio nas vitórias é fácil. Mas ter uma torcida que está com o time em todos os momentos, é para poucos. E o Náutico é um desses poucos.

Após a derrota no início da Batalha, o Náutico mostrou que não é um clube qualquer. A torcida não se afastou. O clube se reergueu, levantou a cabeça e continuou a Batalha. Remontou o time. A torcida, ferida, lavou a camisa e voltou a vesti-la. O Náutico e sua torcida foram em frente. A batalha ainda não estava perdida. O sonho da volta à Primeira Divisão permanecia vivo. O primeiro degrau foi estrear no Arruda, de portões fechados, como punição injusta pela confusão causada pelos gaúchos no primeiro dia da batalha. Logo com quinze minutos, dois a zero para o Brasiliense. Resultado final: 3x2 para o Náutico. Já na primeira partida, o Náutico mostrava que aquele seria o ano da virada e mostrava que estava ali para vencer a batalha. E foi assim até o final do ano. O Náutico entrou no G4 na oitava rodada e dele não saiu mais. Os Aflitos, famoso por dar nome a Batalha, foi um aliado excepcional. Foram 15 vitórias em 18 jogos e apenas 1 derrota.


Foi quando chegou o dia 18 de novembro de 2006. No mesmo estádio dos Aflitos. A mesma torcida (aquela que nunca o abandonou) estava lá para superar seus traumas e ver a batalha ser vencida. Com um 2x0 no adversário vermelho e preto, vencemos a batalha. Exorcizamos os nossos fantasmas. O Náutico estava de volta à primeira divisão após 12 anos. A espera terminou e aquele 26/11/2005, no final das contas, foi apenas um adiamento. Serviu apenas para mostrar que, em menos de um ano, teríamos força e capacidade de nos recuperar. A verdadeira Batalha dos Aflitos foi vencida de forma brilhante. E no final virou filme, cujo trailler está acima. Como diz o filme: "Ali onde eu chorei qualquer um choraria. A volta por cima que eu dei, quero ver quem daria."

domingo, 3 de maio de 2015

Um Dia no CT


No sábado, 02 de maio, o Náutico realizou o primeiro passeio da promoção Um Dia no CT. Vinte e cinco sócios foram contemplados com um tour guiado pelas dependências do Centro de Treinamento Wilson Campos, na Guabiraba. Eu fui um dos sorteados e fiz questão de ir acompanhado pelo filhão.

O passeio começou com a saída da sede do clube, nos Aflitos, às 9 da manhã. O trajeto até o CT foi feito no TimBus, o ônibus oficial do clube. 



Quando chegamos ao Centro de Treinamento, o ônibus passou bem ao lado do campo onde o elenco profissional realizava um treinamento. O ônibus seguiu direto para o hotel, que serve de concentração para elenco profissional e das divisões de base. Lá, fomos recebidos pelo Superintendente do CT, Daniel Hazin, acompanhado do pessoal da Náutico TV, que filmou todo o nosso passeio. Logo na recepção, todos os sócios participantes da promoção ganharam um boné como brinde.


Em seguida, todos seguiram para conhecer a estrutura do hotel. Passamos pelo setor da academia de musculação e vestiários dos atletas. O famoso roupeiro Araponga estava por lá também. Conhecemos a sala onde os números e patrocínios são prensados nas camisas.







Seguindo a programação, fomos ao primeiro andar, onde foram apresentados os quartos dos jogadores e o salão de jogos. Todos quartos duplos, com TV e ar-condicionado. As camas muito bem forradas com lençóis estampados pelo símbolo do clube. Bem bacana.

O salão de jogos estava equipado com mesas de ping-pong, sinuca e totó. Esse foi um dos locais preferidos pelas crianças. Nem precisa perguntar o porquê.
Ainda no primeiro andar, conhecemos a sala onde os dirigentes se reúnem para tratar de diversos assuntos referentes ao elenco, como contratações, entre outros. Lá, o grupo foi apresentado ao vice-presidente executivo operacional, Durval Valença Filho. Depois conhecemos a sala onde fica o departamento responsável por catalogar estatísticas e o desempenho dos atletas.

O próximo local conhecido foi o refeitório dos jogadores, onde um lanchinho estava nos esperando. Lá conhecemos a nutricionista responsável pela alimentação de todo o elenco de profissionais. As cozinheiras já estavam preparando o almoço dos jogadores, que estavam prestes a terminar o treinamento da manhã.



Após o lanche, conhecemos a sala onde ficam armazenadas as gravações dos jogos. Em seguida, fomos os auditório, onde diretores do CT e responsáveis pelo marketing do clube bateram um papo com todos os presentes. Os diretores contaram rapidamente a evolução do CT, desde os tempos em que o terreno era apenas um monte de mato e barro, passando pela dedicação de abnegados até se transformar no que é hoje. Também falaram sobre o custo de manter todo a infra-estrutura, que é bem cara, mas que tem sido integralmente custeada através de repasses mensais de 50% da receita do Conselho do Clube (definido em regimento) e, principalmente, das escolinhas. 


Sobre o hotel, os diretores explicaram que sua conclusão coincidiu com o início da gestão atual. Uma vez que o prédio era novo, faltava mobiliá-lo. O grande desafio desta gestão foi equipá-lo para dar condições de uso, como hoje está. Sobre as escolinhas, foi comentado que elas são uma grande fonte de receita. Hoje a mensalidade é a maior dos três clubes da capital, porém com quantidade de inscritos bem superior. 

Os sócios fizeram diversas perguntas sobre o CT, os planos para futuro e sobre o clube de forma geral. Os diretores contaram que o CT possui um plano diretor com os indicativos do que ainda falta ser construído. Hoje, o CT, além do hotel, conta com cinco campos para treinamento do elenco profissional, das categorias de base e das escolinhas. Ainda estão previstos mais dois campos oficiais e também a construção de uma infraestrutura para lazer dos sócios, como um clube de campo, com piscinas, quadras de tênis e minicampos.

Foi um papo bem proveitoso, tanto que até se estendeu além do previsto, diante de tantas perguntas e da interação geral. A demora além da conta foi até boa, pois alguns jogadores, após o treinamento, apareceram no auditório para nos saudar. Acompanhados por Kuki, chegaram o goleiro Júlio César e os recém-contratados Fabiano Eller e Ronaldo Alves. Neste momento, foram feitos sorteios de brindes e meu filho, inclusive, foi contemplado com uma bola entregue por Fabiano Eller. 

É claro que não faltaria a sessão de fotos no final. 



Após o encerramento, o tour seguiu para a área externa. Fomos caminhando, a partir do hotel, até os campos de treinamento. Pudemos passar por todos e paramos no campo principal, o mais usado pelos profissionais. Foi o momento de pisar no gramado, o mesmo usado na Arena, e também poder bater uma bolinha.


   


   

Esta foi a primeira edição do Um Dia no CT. Outras estão previstas nos próximos meses. Muito além de um simples evento, iniciativas como estas precisam ser realizadas com mais frequência para poder atrair novos sócios e incentivá-los a continuar ajudando o clube. Não se pode depender apenas da boa vontade e da paixão do torcedor ou dos resultados dentro de campo. É preciso uma contrapartida. É preciso poder usufruir do clube. É preciso sentir que o clube lembra de você e proporciona momentos como este, onde abre suas portas para recebê-lo, e onde você possa se sentir em casa.

Tomara que os dirigentes do futebol e do marketing continuem criando iniciativas como esta. Neste dia, pudemos ver senhores, adultos, jovens e crianças todos juntos, vivenciando o Clube Náutico Capibaribe. O futuro do clube depende de cuidar de seu maior patrimônio: sua torcida.

terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

Nosso futebol buscando e perdendo dinheiro

A polêmica da pré-temporada no futebol pernambucano foi a questão do mando de campo na Arena Pernambuco. Mas se engana quem acha que o assunto a ser comentado será este. Existe algo por trás dessa polêmica que chama a atenção, apesar de não ter sido debatido na mídia esportiva: a questão do dinheiro. Por trás de toda argumentação e dos questionamentos dos clubes, pareceres favoráveis e protestos, estava o olho grande no dinheiro. A questão técnica ficou em segundo plano.



Em Pernambuco, os principais clubes têm seus próprios estádios e, jogando em casa, é onde conseguem seus melhores resultados, mas os dois principais adversários do Náutico abriram mão de jogar nas suas casas, onde tenderiam a conseguir melhores resultados, para jogar na Arena do Governo. Por que? Pelo dinheiro.

Ambos escolheram, inclusive, mandar seus jogos contra o Náutico, na Arena, que é onde o Náutico manda seus jogos. Na teoria, ótimo para o Náutico que, apesar da torcida adversária estar em maioria, já que o mando é dos adversários, teria os jogos realizados no campo onde joga e está mais acostumado. Mas a questão técnica ficou de lado. O Náutico protestou, bateu o pé e não aceitou. Por que? Mais uma vez pelo dinheiro. O clube votou contra apenas para pleitear uma melhoria nos valores do seu contrato com o Consórcio Arena Pernambucano.

E a Federação Pernambucana? Convocou um Conselho Arbitral para decidir a questão, mas, diante de um resultado desfavorável, deu uma "canetada" e passou por cima da decisão do Conselho. Por que? Mais uma vez para ganhar mais dinheiro, já que jogos na Arena têm rendas maiores e, consequentemente, maior valor no percentual que cabe à Federação.

Arena Pernambuco: onde todos querem jogar por dinheiro
É fato que o produto futebol, a cada ano, tem se tornado cada vez mais caro. Salários de jogadores cada vez maiores, taxas de regularização de jogadores, desconto das Federações nas rendas dos jogos, taxas de arbitragem, impostos, entre outros, fazem com que os clubes façam malabarismos para manter as contas em dia. Não é de espantar que clubes abram mão de jogar em casa para jogar onde consigam melhores condições financeiras. No Brasileirão, não faltaram clubes levando jogos para Brasília, Cuiabá e Manaus, por exemplo. Por que? Única e exclusivamente por mais dinheiro.

É algo inevitável, mas, neste novo contexto do "vale tudo por dinheiro", também chama a atenção uma regrinha que faz os clubes perderem dinheiro: a regra da cota mínima de ingressos para visitantes. Parece um contrassenso, quando os clubes mais precisam de dinheiro, os regulamentos das competições limitam a presença de uma torcida adversária a uma pequena quantidade. Ora, se os clubes querem dinheiro, por que jogar o Campeonato Pernambucano com apenas 20% dos ingressos para visitantes? Na prática, impedem que um público consumidor possa frequentar seu evento. É perder dinheiro. Nesta situação é impossível não recordar do futebol até a década de 90.

Foi naquela época que comecei a frequentar estádios de futebol. Na grande maioria das vezes, só ia para os clássicos, não importava em que estádio. Não exista a regra do 80% para o mandante e 20% para o visitante. Na verdade, nem existia ingressos por torcida. Os ingressos ficavam a venda e quem comprasse iria pro jogo. Era bonito ver os clássicos com duas torcidas dividindo o estádio praticamente ao meio. O mandante só tinha mais torcida por causa das sociais e das cadeiras, mas os demais setores ficavam repletos por duas torcidas. Tenho uma teoria que a presença das torcidas em praticamente igual quantidade era uma das causas de existir menos brigas naquela época, mas isso será tema para outro artigo. Aqui, o que é relevante é pensar: por que esta restrição de 80-20 foi criada? Por causa da violência? Mas a violência começou (ou só aumentou) somente após esta restrição. Não é contraditório e anticomercial, ou seja, perder dinheiro?

Enquanto as respostas não chegam, a indagação deve perdurar. Dessa forma continuaremos convivendo com esta contradição por bastante tempo: clubes mudando seu mando campo para ganhar mais dinheiro ao mesmo tempo que perdem dinheiro ao limitar a presença de torcedores.

quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

Bar do Náutico agora é FuTimBlog!

Um novo tempo, um novo nome, um novo blog. O blog Bar do Náutico agora é FuTimBlog. Uma nova temática será abordada no blog. Saem as histórias do meio fictício, meio real, Bar do Náutico, e entram as opiniões e histórias relacionadas ao Náutico e ao futebol em geral, com foco no futebol pernambucano, isto é, no futebol em torno do Timbu.


As histórias do Bar do Náutico continuam registradas no bar. A partir de agora, uma nova fase começa a ser contada. Aguardem!