quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

Terceiro 3x0. A vítima agora foi o São Paulo

Noite de 15 de agosto de 2012. O encontro de alvirrubros, desta vez, era para encarar o tricolor paulista.

- Eu não admito perder hoje. Já fiquei muito p.... com a derrota pro Fla.
- Hoje é tranquilo. São Paulo de Muricy sempre perde da gente nos Aflitos.
- Que Muricy o que, rapaz!? Muricy é do Santos!
- Mas passou muito tempo lá.
- Hahahaha. O jogo nem começou e parece que tu já bebesse todas.
- Olha os alvirrubros chegando aí: Ádley, Gustavo, Thomas, Roberto, Edmilson, Alexandre, André, Júnior, Cabral, Eduardo, Léo, Jerônimo, ...
- Hoje o bar está enchendo.

Naquela noite, o timbu queria a recuperação, pois vinha de dois jogos fora, sendo um empate contra o Inter e uma derrota para o Flamengo. Nada melhor que voltar a vencer diante da torcida. No Bar do Náutico, esta galera aí embaixo estava confiante.

A turma porreta que encheu o bar para torcer por mais uma vitória Timbu.

- Bora, Timbu. Para cima deles!
- Que jogada arretada! É agora!
- Faz!
- Agora!!!!
- Nããããããooooooo!
- Caramba! Como é que Araújo perde um gol feito desses, debaixo da barra.
- Rogério também fez um milagrezinho no primeiro chute, né?
- Sim! Mas a bola sobrou na pequena área. Era só dar um toquinho e ele foi tentar estufar a rede... jogou  a bola no Country Club.
- O problema foi que caiu no pé direito. É uma bola difícil mesmo de chutar.
- Paraê, velho. Era gol feito.

O gol perdido, logo no começo, mostrava que o Náutico havia começado com tudo e que a noite não seria boa para os sanpaulinos. Poucos minutos depois a vitória começou a se desenhar. Penalti!

- Foi com a mão! Foi com a mão!
- É penalti!!!

Após outra boa jogada, a bola sobrou para Kiesa que dominou e bateu rápido. Seria gol, mas Tolói evitou com o braço aberto.

- Bora, Kiesa! Vai meu filho!
- GOOOOOLLLL!
- GOOOOOOOOLLLLLLL!
- GGGGGOOOOOOLLLLLLL!

Era o primeiro da noite. Timbu saia na frente e, agora, se apenas se defendia, o adversário teria que sair para o jogo. O São Paulo realmente tentou. Casemiro entrou logo no primeiro tempo e fez o time começar a tocar mais a bola no campo de ataque. Mas, com a noite inspirada em que o Náutico estava, sair o jogo foi fatal.

- Toca a bola rápido, meu velho!
- Eita! Rhayner ganhou a dividida.
- Vai! Faz! Faz!
- Defend..... GOOOOOLLLLLLL!
- GOOOOLLLL! GGGGOOOOLLLLLL!
- GOOOOLLLL! GGGGOOOOLLLLLL!
- GOOOOLLLL! GGGGOOOOLLLLLL!
- Foi Araújo, P.....!
- Eneeeeeee! Aaaaaaaa....!

2x0 já no primeiro tempo. Avassalador. O time todo jogando bola.

- Tem que terminar o primeiro tempo assim, para dar tranquilidade e garantir a vitória.
- 45 minutos já.
- O praí! Que merda! Falta na meia-lua. Não pode tomar gol agora não!
- E lá vai Rogério Ceni!
- Caramba! Gol.
- Foi nããããoooo.
- Não?
- Foi por fora! Na rede pelo lado de fora.
- Acabou o primeiro tempo.

Depois do susto, a tranquilidade. 2x0 no intervalo era ótimo.

- Vira dois termina quatro!
- Vamos com calma que 2x0 é bom, mas é um placar traiçoeiro.
- Eu quero é golear.
- Então, bota cerveja aí que meu copo parece que está furado.
- Enche o copo do Timbuzinho também que o bichinho gosta de beber.

Timbuzinho "bebemorando" a vitória
Começou o segundo tempo e o panorama do jogo não mudou. Era o São Paulo tentando se encontrar e o Náutico matando a pau, logo na saída de bola.

- Olha Fernando chegando aí atrasado.
- Pô, Fernando, tu dá um azar arretado. Sem tu já tá 2x0!
- Peraê, pô! Estava fazendo prova.
- Jogou muito no primeiro tempo. Foi assim...
- Espera, daqui a pouco tu contas, olha esta falta.
- Uhhhhhhhhhhh! Quase Souza de falta!
- Espera este escanteio agora.
- Sem perigo... Eita... GGGGGOOOOLLLLLLLLL!!!
- GGGGGOOOOLLLLLLLLL!!!  GGGGGOOOOLLLLLLLLL!!!
- GGGGGGGGGOOOOOOOOOOOLLLLLLLLLLLLLLLLLL!!!
- Que gol foi esse meu, velho!
- Foi gol-contra de Rogério! Hahahahahahah!

3x0 já para começar o segundo o tempo. Aí foi só administrar e jogar no contra-ataque. Enquanto o São Paulo substituia jogadores e colocava atacantes em campo, o Náutico contra-atacava com mais perigo. Rogério Ceni, mesmo envergonhado pelo gol-contra, ainda se redimiu fazendo uma grande defesa na cabeçada de Araújo. E o jogo ficou nisso: 3x0. Por coincidência, a terceira vitória seguida do Náutico nos Aflitos por 3x0. E todas contra times paulistas (Ponte, Santos e São Paulo).

Foi uma grande vitória. Uma noite memorável. Seria difícil mandar a galera embora, como de fato foi. Enquanto houvesse cerveja, os timbus estariam lá comemorando. Merecido!

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Timbu mantém freguesia ao Fla


11 de agosto de 2012. Pela décima sexta rodada do campeonato, o Náutico tinha uma difícil missão. Encarar o Flamengo no interior do Rio.

- E hoje, a vitória é de quanto?
- Hoje vai ser difícil, não pelo time do Flamengo, mais pela tradição e pelo apito-amigo.
- É mesmo, Edmilson. Hoje é a gente contra a CBF, Manaus, a Globo ... Tudo contra.
- Mas a gente vai ganhar de um a zero, lá dentro, se não não me chamo Roberto.
- Pois eu não gosto de perder para rubro-negro nem de outro estado.
- Sei não. Se tem um time que o Náutico é freguês é esse tal de Flamengo. Pense num urubu chato arretado.
- Senta aí que já vai começar. Abre mais uma cerveja, Eduardo!

O jogo era em Volta Redonda. O Náutico jogava de branco e sem tremer diante da camisa flamenguista.

- O time está jogando bem. Vamos fazer um gol já já.
- É isso aí, Gustavo. Só falta acertar o passe.
- É agora. Nãããããoooo.
- Não pode perder gol assim.

O Timbu jogava bem nos contra-ataques, mas o Flamengo era mais perigoso. A defesa rebatia os ataques e fazia ligação direta para velocidade dos nossos atacantes. Mas contra time grande não pode vacilar. Em um lance de lateral, a bola foi lançada para Vagner Love. Ronaldo Alves foi mole no lance e caiu pedindo falta que não houve. Love invadiu a área e adiantou a bola. Foi a vez de Marlon também ir mole na jogava e perder a dividida. Love não perdoou. Gol do Flamengo.

- Que moleza da gota!
- Pé de moça de Marlon. Joga feito homem, caramba!
- Foi falta em Ronaldo, não?
- Foi nada! Ele que perdeu no corpo.
- E tava jogando tão bem. Tinha que a zaga entregar.

Depois do gol, a coisa piorou. O Flamengo cresceu e a torcida acordou. Aumentava a pressão.

- Gideãããããããooooooo!
- Que defesa da pleura!
- Está vendo, Ádley. A gente tem goleiro.
- Eu sempre disse isso.

Gideão ia salvando o timbu, mas no finalzinho do primeiro. A zaga entrega de novo.

- O Flamengo está marcando a saída de bola em cima. Assim, o time só consegue sair no chutão.
- Ei, pô. Vai driblar aí não, caramba!
- Fila da mãe.
- Na trave!
- Voltou. Tiraa!
- Gol.
- Que merda. Vai tentar driblar Vagner Love na frente da área.
- Foi Ronaldo Alves, pensando que era craque. 
- E que bicho cagado, esse Vagner Love. A bola bate na trave e ainda volta para ele.
- E a zaga que não tirou a bola?

Fim do primeiro tempo. 2x0 complicava demais para o Náutico.

- E agora? Tem jeito no segundo tempo, Fernando?
- Eu já tô arretado aqui.
- Então bora beber para tu ficar mais calmo.
- Hahahahahaha.

No segundo tempo o jogo esfriou. O Flamengo foi que passou a jogar no contra-ataque. Já o Náutico era aquele marasmo dos jogos fora de casa. Adversário recuado, o time com a posse de bola e sem conseguir entrar na área.

- Agora lá vem Kim.
- Vixe, Maria. É assim que a gente quer empatar o jogo é?
- Kim é o matador, Alexandre. Vai fazer outro daquele contra o Santos.

O jogo já passava dos trinta do segundo tempo, já sem muita emoção. Foi aí que a zaga do Flamengo resolveu retribuir a gentileza da zaga alvirrubra do primeiro tempo. Foi brincar e Kim ganhou a dividida. O zagueiro caiu e a bola ficou limpinha para Kim, na meia-lua de área, ele o goleiro, era só fazer e ....

- Agora, pô.
- Olha o gol! Olha o gol!
- Nããããoooo!
- Miserável!
- Chuta na casa do tua mãe!

Horrível! Livre, livre. Kim teve tempo de parar, pensar e resolveu chutar. Conseguiu chutar nas nuvens. Era para acabar de vez com as esperanças. Até o fim do jogo, o Flamengo ainda criou algumas chances de ampliar, mas o resultado já estava definido. Era mais uma derrota alvirrubra fora de casa.

- Perdemos. Ainda bem que amanhã é domingo e não vou ver os flamenguistas do trabalho.
- Hahaha. Relaxa, Gustavo. O que não falta é flamenguista em Manaus. Não é não Thomas?
- Rapaz, estou até agora pensando no gol que Kim perdeu.
- Esquece. Toma mais uma que passa. E vamos para a próxima

terça-feira, 13 de novembro de 2012

Inter 0x0 Náutico e mais um pontinho na conta

- Trim! Triim!
- Alô!
- Ádley! Cadê, você?
- Estou no trânsito, já chego!
- Corre! Vai começar o jogo.

Era quarta-feira, dia 8 de agosto. Correria dos alvirrubros em Manaus para chegar logo no bar, pois o jogo contra o Inter era cedinho, as 18:30, no horário do maior trânsito na cidade. O jogo começou e a torcida foi chegando já com a bola rolando. A cada minuto chegava mais um.

- Cheguei! Quanto tá o jogo?
- 0x0, Roberto!
- Boa noite, já está 3x0 para gente?
- Não, 0x0, Eduardo!
- Cheguei, gente! Como está o jogo?
- 0x0, Edmilson!
- Olha, Alemão em campo.
- Vai parar Forlan hoje. O gringo não tocou na bola ainda.
- 15 minutos e o time está muito bem.

Nos primeiros quinze minutos, a marcação do Náutico era forte. O time se portava bem e segurava o ímpeto do Internacional. Além da boa marcação a saída para os contra-ataques era rápida e assustava os gaúchos. Mas, depois do 20 minutos, o Internacional cresceu.

- Tira, Gideão!
- Que perigo, hein, Thomas?
- O jogo começou a ficar perigoso. Olha a falha.
- Não!
- Eu vi a bola dentro agora.
- Quem foi que perdeu a bola?
- Foi Patric.
- Quase dava o gol para este Forlán velho.
- Ainda bem que temos goleiro!

Próximo do final do primeiro tempo, o jogo voltou a equilibrar. 

- Escanteio pro Náutico. É agora!
- Falta! Bora, Souza!
- Segura o contra-ataque deles agora!
- Aleeemãããão! É pau meu velho. Esse zagueiro está muito bem. Vai ganhar a vaga de titular.

Terminava o primeiro tempo. 0x0 era o placar que só interessava ao Náutico. Era preciso segurar no segundo tempo.

- Começou o segundo tempo. Garçon, mais uma cerveja!
- Agora tem que segurar a pressão dos primeiros 15 minutos.
- Olha aí. Quem começou atacando foi o Náutico. Melhor forma de segurar a pressão é atacando mesmo.
- E agora? Olha a falha. Tiiiiraaaa!
- Quase gol dele, hein?
- Lá vai o timba de novo.
- Agoraaaa! Chuta!
- Vai!
- Goooolllllll!!!!
- Goooolllllll!!!! Goooolllllll!!!!
- Goooolllllll!!!! Goooolllllll!!!! Goooolllllll!!!! Goooolllllll!!!!
- Foi de Araújo!
- Anulou!
- Anulou!
- Peraê, deu impedimento!
- Vamos ver o replay.
- Olha aí, tava não! Posição legal.
- Bandeirinha ladrão. Quase um metro em posição legal.
- Esse gol anulado pode fazer falta.

O Náutico realmente voltou bem para o segundo tempo. E felizmente, o gol mal anulado não fez falta. O Inter partiu para a pressão, mas a defesa estava inspirada, naquela noite fria de Porto Alegre. Além disso, o meio-campo e os atacantes conseguiam sair nos contra-ataques, aliviando a defesa, e dificultando as ações para o Inter. Nos minutos finais, a tradicional pressão dos donos da casa ocorreu sem sucesso.

- Apita, juíz!
- Vai acabar!
- Segura mais essa!
- Acaboooouuuuu!
- Boa, Timbu!
- Grande resultado. Pontinho importante fora de casa.
- Era para terem sido três. Fomos roubados com o gol anulado.
- Bem lembrado, Gustavo.
- Mesmo assim, empatar no Beira-Rio não é fácil.
- Então, bora comemorar?
- Desce a grade, timbuzada!

O placar foi muito comemorado. Era mais um pontinho conquistado fora de casa, após o time já vir de vitória na partida anterior. O time se firmava na parte do meio da tabela e já demonstrava um futebol consistente para eliminar qualquer desconfiança da torcida quanto ao futuro da equipe no campeonato. Naquela noite, os alvirrubros puderam dormir (e beber) satisfeitos.

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Baixou o santo em Kim

Domingo, cinco de agosto de 2012. O dia em que baixou um santo. E, curiosamente, baixou justamente contra o Santos. Só isso pode explicar o momento de rara genialidade do até então muito criticado atacante Kim.

Naquele dia, o Náutico enfrentava meio time do Santos (a outra metade, ou seja, Neymar, estava disputando as Olimpíadas de Londres). O primeiro tempo teve domínio total do Náutico, mas sem grandes chances de gol, e zero-a-zero no placar.

- Só faltou o gol, né, Alexandre?
- Foi mesmo, Léo. Tem mexer no time para ver se esse gol sai.
- Mas vai botar quem?
- Bota Kim!
- Péraê, velho. Se botar Kim, eu vou embora!
- Kim é o ídolo de Fernando. Ele sempre diz que Kim é craque.
- Puta "Kim" Pariu. Eu nunca disse isso!

A torcida já criticava antes mesmo de Kim entrar em campo. Já logo no começo do segundo-tempo, o estreante Patric abriu o placar. Com a vantagem no placar, o álcool logo subiu a cabeça e, no momento em que Kim se preparava para entrar, já tinha gente mudando de opinião.

- Agora sim! Kim vai entrar.
- Agora vai ser goleada.
- Vocês estão é bêbados. Se Kim fizer um gol, eu pago a conta!

Alguns minutos depois, aquele santo, acima comentado, baixou sobre Kim, e uma verdadeira pintura, até então inimaginável, foi presenciada.


- Golaaaaçooo!
- Kim na seleção!
- Esse cara é craque, Gustavo!
- Agora, né? Eu falo isso desde o jogo contra o Corinthians!
- O ídolo de Fernando é o cara!
- Eu não disse, Ádley! Está vendo Edmilson?
- Foi sorte!
- Sorte nada, Thomas. Isso "Kim" é jogador!

O dia da redenção de Kim. E para deixar o bar ainda mais feliz, Kiesa (sempre ele) ainda fez o terceiro. Náutico 3x0 Santos. O Timbu voltava a vencer. O bar voltava a sorrir. E "Kim" vitória!

sábado, 20 de outubro de 2012

Lusa aproveita o cabaré e nos impõe outra derrota

- Olha quem chegou!
- Caduuuuuu!!!!!
- Alvirrubro de verdade é alvirrubro desde criancinha. Quantos anos?
- 2 anos. A geração alvirrubra do futuro já está aqui no bar conosco.

Era domingo, 29 de julho de 2012. Com a chegada do ilustre alvirrubrinho, a galera ficava mais animada para o jogo contra a Portuguesa, em São Paulo, após a sequência de duas derrotas.

O jogo começou e o pequeno, ainda assustado com tanta gente, só tirava os olhos da TV para pedir biscoito.

- Esse menino está passando fome. Não é possível.
- É o nervosismo com o jogo.
- Olha lá!
- Gooollllll!!!!!
- Gooollllll!!!!! Gooollllll!!!!!
- Goooooooooooollllllllllllllllll!!!!!
- Kiesa matador!
- Eneeeeeee-aaaaaa-uuuuuu-têÊêÊêÊeee-I-Cê-O!
- Náutico! Náutico! Náutico!

Menos de 10 minutos de jogo e o Náutico abria o placar. Chutaço de Kiesa, no ângulo. O jogo começava muito bem. O esquema de jogo surpreendia a Portuguesa, mas, aos poucos, o time começou a ser dominado e depois dos 30 minutos, a Portuguesa empatava.

- Muito fácil fazer gol no Náutico. O cara recebe, pára, pensa, planeja, desiste, pensa de novo, cruza e ninguém marca.
- E o goleiro? Não havia tocado na bola. A primeira bola que vai entra.
- Mas o placar é justo, gente. O time parou de atacar e só assiste.
- É. Pega outra cerveja aí, que tá difícil.
- E havia começado tão bem. Tocando bola...

Intervalo. Cerveja gelada e aquele arrumadinho caprichado para todos. E Cadu, só no biscoito e na água.

- Eu acho que esse menino é rubro-negro. Está muito calado!
- O que é isso, Thomas. Me xingue de outra coisa, mas não me dê um desgosto desse não.
- Kkkkkkkkkk!
- Começou. Bora ganhar essa!

O segundo tempo começou exatamente como terminou o primeiro: com o domínio da Lusa. Não demorou e Ananias desempatou para os donos da casa.

- Eeeeeeita defesinha.
- A defesa do Náutico é um cabaré!
- É o que, André?
- É um Cabaré!  É só chegar, entrar e se satisfazer.
- Hahahaha. Só esse André mesmo para fazer a gente rir hoje.

Pronto. Com o placar desfavorável, o Timbu teve que ir ao ataque, de qualquer jeito, e desfazer o esquema defensivo. Galo mexeu no time, os volantes avançaram, mas os ataques pouco levaram perigo.

- Esse Breitner não faz nada que preste.
- Não domina, não passa, não chuta!
- Vai ser difícil empatar assim.
- Olha o contra-ataque. 3 contra 2.
- Ufa! Nos salvamos. Ainda bem que errou o cruzamento.
- Caramba a bola não saiu. Vai em cima, pô.
- Gol.
- Caçamba! Vai te danar!
- O cara cruza errado, a bola passa por todo mundo e ainda deixam o outro cara pegar a bola, sozinho do outro lado.
- E a zaga? Com tudo isso, o cara pega o rebote, pára, conta até vinte e cruza de novo sem marcação. Aí é muito fácil.
- E esse goleiro que não faz uma defesa?
- Aí não foi culpa dele não.
- Goleiro que é bom, de vez em quando, faz uns milagres. Esse Felipe não. Toda bola no gol entra.
- Fechou o caixão.

De fato, ao fazer o terceiro gol, já perto dos 40 minutos do segundo tempo, a Portuguesa matava o jogo. O placar final de 3x1 para a Lusa era justo. O Náutico começou muito bem os primeiros 20 minutos, mas depois foi outro time.

- Gente, pede a conta!
- Vamos embora, Cadu?
- Traz ele mais vezes. Na próxima a gente ganha.
- Ele volta, mas para a gente ganhar, tem que melhorar essa defesa.
- Como é mesmo, André?
- Essa defesa é um Cabaré!

O Náutico chegava à terceira derrota consecutiva e se aproximava da zona de rebaixamento. Pela primeira vez, começávamos a nos preocupar com esta aproximação. O time precisava reagir. Estava mais que na hora.

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Muitos gols e virada do Coritiba nos Aflitos

25 de julho de 2012. O jogo deste dia era contra o Coritiba, que estava na zona de rebaixamento, mais por conta da priorização à Copa do Brasil do que por outra coisa. Era noite de quarta-feira e jogo cedo, às 19:30. A galera já estava no bar, mas, mais uma vez, seria difícil comparecer. Enquanto o bebê não dormia, o jeito era acompanhar na Internet. Mas como, se a Internet resolveu ficar mais lenta que o habitual logo na hora do jogo? Enquanto a transmissão em vídeo do jogo não carregava, o Twitter me avisava:

"@brenopires: Mas que falha de marcação. Coritiba empata: 1x1".

Pensei: "Já? Não são nem 12 minutos!"

Continuava minha briga para carregar o stream de vídeo e vinha nova informação:

"@jdeandradeneto: Agora sim! Kiesa 2x1. Melhor investimento do ano."

Menos de 20 minutos e o jogo já estava 2x1 pro Timbu. Ótimo, mas eu queria ver o jogo. Com quase 30 minutos, a Internet teve pena de mim.

- Agora sim! Náutico na telinha do notebook.

Até o fim do primeiro tempo, nos 15 minutos de jogo "olhado", deu para ver o Coritiba não era bobo e, por pouco, não empatava o jogo ainda no primeiro tempo. Assim, o Náutico garantiu o resultado no primeiro tempo.

No intervalo, a sogra veio avisar que o bebê acabava de dormir. Então, hora de correr para o bar.

- Boa noite! Cheguei, pessoal.
- Isso é hora? Já está no segundo tempo e a bola já está rolando há um minuto.
- Então deixa eu me acomodar aqui. Alguém me passa um copo.
- Gol do Coritiba.
- Que frango de Felipe! Goleiro bosta!

Mas só deu tempo de sentar. Antes de abrir a primeira cerveja. O Coritiba empatava o jogo novamente.

- Júnior, a culpa é tua. Que pé-frio da cebola!
- Minha não. Com um goleirinho desse, não tem quem tenha pé quente.

Cinco minutos depois.

- Sai, Felipe!
- Vai te danar. Como é que um goleiro sai desse jeito do gol. Quase gol do Coritiba.
- Foi Alessandro quem salvou em cima da linha.
- Outro escanteio.
- De novo, pô!
- Deu penalte!
- Penalte e expulsão.
- Por que?
- Alessandro tirou com a mão. Iria ser gol direto.
- Mas tudo por culpa de Felipe. Outra saída de gol errada.
- Agora é torcer para errar o penalte.
- Vai perder! Vai perder!
- Olha para Roberto. Está nem vendo.
- Pega, Felipe!
- Gol.
- Caramba! Coritiba virou em 9 minutos.

Depois do apagão que o Náutico sofreu no segundo tempo, a única saída era colocar a cabeça no lugar e partir para nova virada. Mas qual? O time se abateu e as tentativas de jogadas ofensivas acabavam nos passes errados que geravam contra-ataques quase mortais. O Coritiba era mais perigoso e contava com a péssima atuação de Felipe. Aos 30 minutos, mais uma saída de gol atabalhoada e, de novo, quase outro gol. Por sorte, a zaga mandou a escanteio. A torcida, no estádio, perdeu a paciência e começava a vaiar Felipe e gritar o nome do reserva Gideão. Em mais um escanteio para o Coritiba, o goleiro, já inseguro, desta vez resolveu não mais sair do gol. Pereira não teve dificuldade para fazer o quarto gol. Virada sensacional do Coxa: 4x2.

O time estava entregue. Ninguém esperava esta virada, ainda mais dentro de casa, onde o Náutico sempre comanda as ações.

- Tem mais gol hoje não. Vai ser a segunda derrota em casa.
- Tem tempo ainda, mas jogando assim, errando tudo e com a torcida vaiando, é rezar para acabar logo.
- Olha aíííí!
- Goooolllllll!
- Goooolllllll! Goooolllllll!
- Foi de Rico!
- É 4x3, caramba! Tem sete minutos ainda, dá tempo de empatar.

O Náutico tentou. Partir para o desespero em busca do empate. Mas o Coritiba era um time experiente e soube controlar o jogo. Aos 45 minutos, o Náutico era só chutão para área. Sem perigo. E assim terminou a partida: 4x3 Coritiba.

- Se tivesse mais 5 minutos a gente empatava.
- Perder um jogo em que estava jogando tão bem no primeiro tempo é fogo.
- E o próximo jogo é fora.
- Quando é?
- Domingo.
- Ótimo. Já está marcado.

Não foi a noite do Náutico. O ataque funcionou marcando três gols, mas a defesa (o goleiro) entregou. Agora era buscar a recuperação em São Paulo, contra a Portuguesa.

- Garçom. A saidera e a conta.

domingo, 14 de outubro de 2012

Churrasquinho de porco, mas com água no nosso chopp

A vitória por três a zero, na partida anterior, não poderia ter deixado a galera mais empolgada. No fim-de-semana, domingão de sol, o jogo contra o Palmeiras foi "regado" a churrasquinho. Era domingo, dia 22 julho.

- Olha a picanha! Olha a linguiça!
- E a cerveja?
- Olha a cerveja!
- Olha a buchada!
- O negócio hoje está bom. Tem até buchada.
- Foi Fernando que vez. Vou entregar logo.
- E o pior é que está bom. Hahahahahahaha

Tudo ia muito bem. O almoço estava animado. A comida no ponto. A cerveja, como sempre, geladíssima. Faltava uma hora para o Timbu entrar em campo, na Arena Barueri, para encarar o Porco. Então, Roberto anuncia:

- Trouxe aqui um negócio arretado: costelinha de porco!
- O que? De porco? O jogo é contra o Palmeiras, rapaz!
- Então! Bora comer esse porco!
- Ei, isso vai dar um azar arretado!


O jogo começou pontualmente, as 15 horas. Jogo truncado, que começou equilibrado, mas o Náutico não entrou em campo. Nós que comíamos o churrasco e os jogadores que pareciam ter comido uma feijoada.

- Pessoal, esse aqui que chegou agora é meu filho.

E Gol do Palmeiras... Silêncio. A carne começava a ficar fria, sem sabor.

- Gente, meu outro filho chegou.

E saiu o segundo gol do Palmeiras, ainda no primeiro tempo.

- Roberto, tu não vais trazer teus cinco filhos não, né? Cada vez que chega um, o Palmeiras faz um gol.
- Não, só vem esses dois mesmo.
- A culpa não é dos filhos dele não. A culpa é desta costela de porco que ele trouxe! Deu um azar arretado!
- É, Roberto. Tu é o culpado!
- Vão vocês se lascar tudinho!
- Hahahahahahaha...

Intervalo de jogo. Era hora de voltar a curtir o churrasco porque, com aquele futebol do primeiro tempo, não se esperava coisa melhor no segundo.

- André virou churrasqueiro mesmo. Assumiu a churrasqueira e não larga mais.
- Perder de um time safado desse. Melhor botar essa carne para assar mesmo.
- E ainda tem costela de porco?
- Tem.
- Maldita costela de porco.

O segundo tempo começou, mas em nada melhorou. Para piorar, mais um gol do Palmeiras para terminar com nosso churrasco. Não era o resultado que ninguém esperava : 3x0. Coincidentemente, o mesmo placar da vitória do jogo anterior. O churrasco terminou com chopp aguado. Sempre gelado, mas aguado.

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

O matador voltou. Azar da Ponte.

Era noite de 18 de julho de 2012. Visita em casa e o bebê que não dormia. Era difícil comparecer ao bar. Nesta situação, o melhor a fazer era ligar o note e acompanhar pela Internet o retorno do matador Kiesa ao Náutico. Azar da Ponte Preta, adversário dessa noite. Coincidentemente, sua última partida, em 2011, havia sido exatamente contra a Ponte Preta. E Ele voltou com o mesmo faro de gol.

Ainda no primeiro tempo, o artilheiro mostrava a que veio. Goooooolllllllll de Kiesa. 1x0. Estranho estar em Manaus e não estar no Bar do Náutico comemorando mais um gol do Timba. Veio o segundo tempo e o Náutico não deu nem chance para a Ponte endurecer o jogo. Goooooollllllllll! Souza, já no começo, fazia 2x0. Daí para frente foi só festa. O adversário foi para o tudo ou nada e aí o jogo ficou do jeito que o Timbuzinho gosta. Um contra-ataque atrás do outro. Para fechar bonito, Kiesa, o matador, fechou a conta: 3x0.


Que reestréia! Que vitória! Não era difícil imaginar a festa que a galera deveria estar fazendo no Bar. A cara de felicidade de cada um, na foto acima, não nega. A noite foi pequena. Eram 21:25 quando o juíz apitou o fim do jogo. As 22:45, o telefone toca:

- Alô!
- Júnior! Eneeeeee!
- Oi, Edmilson!
- Só faltou você. É 3x0!
- Eu vi, mas hoje não deu para ir não.
- Olha o pessoal está combinando aqui para dom...
- O que? Você ainda estão aí?
- Sim. Todo mundo comemorando. Só vamos embora quando terminar a cerveja.... Mas vê só. Domingo é jogo contra o Palmeiras. O pessoal está programando um churrasco de porco antes do jogo.
- Vocês estão empolgadinhos, hein!? Vamos combinar isso aí.
- Saudações, alvirrubras.

Vitória elástica. Volta do artilheiro. Galera empolgada. É, ninguém iria embora mesmo tão cedo. Alguém duvidava?

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Contra o Timão, tinha uma trave no meio do caminho

Sábado, 14 de julho de 2012. A torcida mais apaixonada de Manaus voltava a se reunir no Bar do Náutico para mais um desafio do Timbuzinho. E que desafio! O campeão da Libertadores, em São Paulo, pela primeira vez com o time titular após a conquista do título Sulamericano. Difícil, mas nada que deixasse alvirrubro nenhum em casa.


- Ei, Fernando. Hoje é casa cheia.
- É 1x0, fácil, de novo!
- Olha, André apareceu hoje.
- Éééééé. Nada como uma vitória fora de casa para fazer o pessoal aparecer.
- Claro. Se até Renato, filho de Thomas, apareceu hoje, não tinha como André faltar.
- Né não, Roberto?
- O que eu sei é que esse pessoal sumido quando vem dá um azar arretado!
- Hahahaha!

Era tarde sábado. Não tinha desculpa. Todos estavam lá para o que desse e viesse. Com cinco minutos de jogo, o Timbu parecia em casa.

- Cheguei!
- Isso é hora Edmilson? Já são 5 minutos e seis escanteios para o Náutico.
- Sério! É pressão, é pressão.
- Olha o contra-ataque. Quase gol do Corinthians.
- Tem que ter cuidado.
- Mas o time está jogando bem.
- Que jogada de Kim!
- Caramba! Isso é Kim mesmo? Não acredito.

O Timbu jogava bem e não se intimidava. Aos 15 minutos, foi recompesado pelo bom futebol:

- Gooooolllllll!
- GOOOOOLLLLLLL!
- Golaço de Elicarlos!
- Eu não disse? O time hoje está engrenado!
- Vamos meter 3 hoje!
- E....
- Não, Alessandro! Gol do Corinthians

Silêncio no bar. Não deu nem tempo para comemorar. 1 minutos após abrir o placar, Danilo empatava. Depois do gol o Corinthians cresceu e começou a chegar com mais perigo. O jogo continuava aberto com o dois times no ataque, até o fim do primeiro.

- Acabou. Gostei do time.
- Está jogando melhor do que contra o Atlético semana passada.
- Está mesmo. Está tocando a bola com personalidade e jogando bola.

Recomeçou o jogo. Aquela velha máxima de que tem segurar os primeiros 10 minutos. Não deu. O Corinthians aproveitou e aos 7 minutos desempatou.

- Tira essa bola!
- Trave.
- Gol.
- Eita, merda!
- A bola pedindo! Me chuta zagueiro e ninguém tira.

Um minuto depois:

- Cheguei.
- Agora, Eduardo?
- Vim numa carreira só. Vamos segurar esse empa... Não acredito! Sai de casa e estava 1x1.
- Pois é, saiu o gol agora.
- Vamos empatar.

Galo mexeu no time. Liberou os laterais e partiu para o ataque. E não é que o Corinthians sentiu a pressão? Recuou e partiu para o jogo de contra-ataque. A recuo do adversário dificultou e o Náutico, mesmo em cima, tinha dificuldade para criar chances. Já o Corinthians chegava sempre com perigo.

- 35 minutos. Agora é hora do tudo ou nada.
- Só falta acertar o passe. Estamos bem, dominando o jogo. Tem que definir melhor os lances.

....

- 43 minutos!
- Bora, timbu.
- Cruza, meu filho!
- Gol!.... Putz.
- Quase!
- Salvou!
- Ca.... o!
- Era o empate agora, meu velho!
- Deu escanteio ainda.
- É agora.
- Tirou a zaga.
- Chutaaaaa .... P....a!
- Na traaaaave! Não acredito!
- Iria ser um golaço.
- Foi Romero. Toquinho consciente. Olha praí! O goleiro tirou com os olhos.

Era o último lance de perigo do jogo. Após o cruzamento, o Corinthians se salvou como pôde. O goleiro saiu do gol e cortou o cruzamento. No rebote, a bola ficou com Romero, que acabara de entrar no jogo. Ele levantou a cabeça e tentou colocar por cobertura. O goleiro só olhou e a bola bateu no travessão. Merecia o empate o Timbu, mas ele não veio. Derrota por 2x1 em São Paulo, mas com bom futebol e encarando de frente o campeão da América. Ah, mas se não fosse aquela trave. Maldita trave!

terça-feira, 2 de outubro de 2012

Timbu 1x0 Dragão. A primeira vitória fora!

Era noite de julho. Dia 7 de julho. Festas julinas tomavam conta de Manaus. Sábado a noite, quase 20 horas. Será que iria dar quórum?

- Eneeeee!
- Opa, Júnior! Pensei que eu iria ver o jogo sozinho.
- Tu acha que eu vou faltar?
- Cadê o pessoal?
- Chegou ninguém? Daqui a pouco começa a chegar.

Não era o melhor dia nem horário para assistir a uma partida de futebol em um bar. Mas o Bar do Náutico, como sempre, recebia a torcida alvirrubra para ver o Náutico enfrentar o Atlético de Goiás fora de casa. Público menor que o habitual, mas empolgado como sempre.

- Hoje é 2x0! Dois de Araújo.
- Um empate é um bom resultado, afinal o jogo é fora.

Quando o jogo começou, a primeira oportunidade foi do Timba. Alessandro invadia a área e batia para fora, levantando a torcida e aumentando a nossa sede.

- Mais uma cerveja, mais uma cerveja!
- Cadê, o abridor?
- Enche meu copo também.

Aos poucos, o Náutico muda sua postura e passa a aguardar o Atlético para ganhar no contra-ataque. Maior posse de bola para o adversário, mas pouco perigo real.

- Rapaz, esse time do Atlético é ruim, viu? Só falta o Náutico querer jogar mais.

Dois minutos depois, Araaaaaúúúúújooooooooo desencantava e fazia seu quinto gol no campeonato, chegando à artilharia da competição, ao lado de Alessandro do Vasco.

- Goooooollllll!!!
- Goooolllllllllll!!!
- É o cara, sempre ele!

Um a zero após ótimo cruzamento na cabeça do artilheiro. Após o gol, o Atlético entrou "em parafuso". Continuava com posse de bola, mas sem objetividade e errando mais passes. Com isso, o Náutico ia criando chance em cima de chance. Numa dela, quase Araújo marca um gol de placa.

- Toca no meio.
- Pra Araújo!
- Olha o gol. Olha o golaço!
- Quaaaaaaseeeee!
- Iria ser um gol de copa do mundo.
- Era só dar um toquinho.

Fim do primeiro tempo. Náutico muito bem no esquema de contra-ataque. Veio o segundo tempo. O Atlético voltou igual. Mesmo futebolzinho. Quem mudou foi o Náutico, que não repetiu a mesma atuação. Manteve o esquema de contra-ataque, mas já não criava mais nada ofensivamente. A não ser na escapada de Lúcio pela esquerda que cruzou para Rhayner.

- É agoraaaa!
- Perdeu!!!
- Inacreditável! Era para matar o jogo.

Foi só para o timbu no segundo tempo. Muitos erros de passes e a bola o tempo com o Atlético.

- A gente vai tomar um gol daqui a pouco.
- Ninguém consegue trocar três passes.
- A sorte que esse Atlético é horrível.

Todo atabalhoado, o Atlético insistia pelo meio ou no chuveirinho. Numas destas tentativas, falhas da nossa defesa e quase empata. Alessandro salvou em cima da linha a cabeçada após um escanteio.

- 45 minutos, vai acabar!
- 46!
- 47!
- 48!
- Acabou!
- AÊêêêêêÊêêê!
- É vitóriaaaa!
- Sofrida, viu? Esse segundo tempo pediu para perder.
- Araújo no Serra Dourada está em casa. Decidiu.

Era a primeira vitória fora de casa: 1x0. E como comemorar?

- Roberto! Traz mais uma cerveja e um arrumadinho!
- Duas cervejas!
- E depois a saidera e a expulsadera.
- Festa julina hoje é aqui, com a vitória do Timba!

domingo, 22 de julho de 2012

Torcer longe do Bar não dá certo.

23 de junho de 2012, véspera de São João, 21 horas e 5 minutos, horário de Brasília. Há exatos três minutos a bola estava rolando no estádio Independência. Dentro do avião, com destino à capital de todos os alvirrubros, fazendo conexão em Fortaleza. Eram os preciosos 30 minutinhos para acompanhar o Náutico no difícil duelo contra o Galo. Celular ligado e já conectado no Twitter. Logo na primeira mensagem, já era anunciado o gol do Atlético-MG.

É, tomar gol no comecinho, fora de casa, contra um time embalado, não era bom sinal. Mas eis que 10 minutos depois, um novo tuíte anunciava o gol de empate de Araújo. As postagens seguintes mostravam, um Atlético nervoso e um Náutico jogando bem. Seria mesmo? Convenhamos que acompanhar jogo no Twitter é uma coisa tão cega quanto acompanhar num radinho. Tudo parecia bem, mas aos 33 minutos, um penalte foi inventado para o time da casa e eles pularam na frente de novo. Foi o último lance até desligar o celular. O avião decolou em seguida.

Uma hora e alguns minutos depois, o avião chegava em Recife. Celular ligado imediatamente. Os tuítes mostravam 45 minutos do segundo e o placar de 4x1 para o Atlético.

- Trimmm! Trimmm!
- Alô!
- Júnior! É Roberto. E aí?
- Perdeu. Quatro a um.
- Eita. Jogou muito mal mesmo?
- Rapaz, cheguei agora em Recife. Nem vi o jogo.
- Ah, foi. Pensei que estavas no bar. Hoje não pude ir. Tá bom. Boa noite.

Dormimos acreditando nos 4x1. Não sabíamos que os descontos guardavam mais um gol na conta. O placar final terminou 5x1. Derrota acachapante!

Contra o Galo não deu, mas, no sábado seguinte, o jogo era em casa. Era contra o Fluminense, atual campeão fluminense. Mais um jogo longe do bar do Náutico, mas, desta vez, não seria dentro do avião, seria no "Caldeirão". Hora de matar a saudade. A sensação de voltar a entrar no estádio tão antes frequentado na adolescência era maravilhosa. Aquele clima de jogo na cidade, a chegada da torcida, o encontro com os amigos antes do jogo, ... algo difícil de descrever para aqueles que se acostumaram a torcer por "times de televisão".

Iderlan, antigo alvirrubro de Manaus
No dia do jogo, até o amigo Iderlan estava lá. Logo ele, grande alvirrubro e antigo frequentador dos primórdios do Bar do Náutico, em Manaus. Foram muitos jogos e muitas histórias em Manaus. Jogos até na torcida de times adversários como Grêmio, Flamengo e Botafogo. Agora, morando em Recife, o jogo contra o Fluminense era um ótimo motivo para voltar a "tomar uma(s)", botar o papo em dia e, lógico, ver o timbu novamente no estádio.





Murici Ramalho tomando uma fora do Estádio
Do lado de fora do estádio, a galera ia chegando aos montes. Muito bom estar entre alvirrubros novamente. Tudo na maior paz e no maior respeito, até mesmo com paraibanos doutrinados pela Rede Globo e "devotos" do time fluminense, que chegavam meio feito gatos pingados. No espetinho ao nosso lado (quem diria?), Murici Ramalho apareceu para tomar umas cervejas. Ele mesmo! O antigo treinador Timbu, atualmente no Santos. Não. Não era ele. Era o sósia, mas um sósia que era praticamente idêntico.


Torcida alvirrubra enchendo o Caldeirão
Dentro do estádio, a torcida alvirrubra comparecia em peso, como sempre. Estádio cheinho. A torcida estava animada e o time começou jogando bem. Uma chance perdida. Depois outra e mais outra. O time dominava o campeão fluminense, criava chance e parava no goleiro Cavalieri. Dava para imaginar que o castigo viria em seguida. Aconteceu. De tanto perder gols, o adversário conseguiu uma faltinha e nela foi mortal. Deco cruzou e Samuel fez um a zero Flu. Aquela velha lição: contra time grande, se criar chance, tem que aproveitar, porque ele, quando tem, não perdoa. Depois gol do adversário, o panorama da partida permaneceu o mesmo. Náutico perdendo gols e Fluminense controlando o jogo.

O segundo tempo começou da mesma forma. O Náutico abusava de perder gols. A paciência começava a ir embora e o nervosismo passava aos jogadores. O time começou a se desmantelar taticamente e Fluminense já começava a ser mais ofensivo. Resultado: outro gol do Flu. 2x0 foi o placar final, justo, pela eficiência deles e incompetência ofensiva do Náutico.

Foram dois jogos fora do Bar do Náutico. Duas derrotas. Contraste imenso com os dois últimos jogos no Bar, que terminaram com duas vitórias seguidas. Esse negócio de ver jogo em outro local da azar. Lugar de alvirrubro, em Manaus, é no Bar do Náutico.

segunda-feira, 18 de junho de 2012

1x0. O fantasma foi exorcizado.

Era um jogo duro, de muita marcação e correria. Náutico e Grêmio faziam uma partida truncada. O time alvirrubro era mais pressão, mas criava pouco. Os gremistas jogavam no contra-ataque e eram mais perigosos. O tempo ia passando, a torcida ficava apreensiva, mas o gol não saía. O Náutico rondava mais a área, tinha 62% de posse de bola, mas Victor pouco trabalhava. O Grêmio fazia muitas faltas, levava cartões, mas já tinha a mesma quantidade de finalizações nossas. Até a trave os danados ja tinham acertados.

- Rapaz que jogo disputado. Como é difícil vencer esses caras!
- Tem que ser hoje. O tabu vai acabar.

Era 20 minutos do segundo tempo, quando Gallo botou no time Breitner e Cleverson. Mudou o time e, com isso, mudou a história do jogo. Com dois jogadores de velocidade, o Timbu cresceu. O Grêmio não mais retia a bola no ataque e o Timbu partia para cima com vontade. A torcida cresceu junto, no estádio e bar.

- Bora, Timbu! Só um golzinho.
- Esse jogo vai ser um a zero mesmo, no finalzinho.
- Nada! Dá tempo de fazer 2x0 ainda.
- Vai ser um a zero, chorado. De bola parada.

Eram 36 minutos do segundo tempo, o Náutico não tinha nenhum cartão amarelo, quando o Grêmio tomava seu sexto cartão amarelo na partida. O segundo do mesmo jogador. Resultado: expulso. Passou um filme na cabeça de todos: Grêmio na retranca, com um a menos. Não. Não era possível. De novo não.

- Expulsa! Expulsa!
- Aê, cartão vermelho!
- Não, juíz! Não pode expulsar jogador deles.
- Calma. Um pode, só não pode expulsar quatro.
- KKKKKKK!

Agora sim. Aumentava o sufoco para o tricolor gaúcho que agora era só chutão. Aumentava o abafa do time alvirrubro que era só coração, raça e muita disposição. A torcida apoiava, mas a angústia tomava conta de todos. Não! Hoje não! De novo não!

44 minutos do segundo tempo. Raro contra-ataque do Grêmio, que conseguiu chegar até a área e finalizou cruzado. A bola passou na frente da área e não encontrou ninguém.

- Tá bom de acabar juíz. É melhor acabar logo, antes que a gente tome um gol.
- Tem 3 minutos ainda. Calma!
- Tá bom. Quero correr risco mais não. Esse adversário é perigoso.
- Vai, Breitner!
- Boa! Escanteio!
- Agora. Vai ser gol de Ronaldo Alves. Gol de Ronaldo Alves.
- Já chegamos aos 46 minutos.
- Cruza na cabeça de Ronaldo Alves!
- Mas que bosta de escanteio! Fácil para a defesa.
- É nossa de novo.
- Agooooorrraaaaaa!
- GoOoOOOoOOOooL!
- GoOooooOoooOOoOOOooL!
- GoOoOOOoOOOooL!
- Ronaldo Alves, caramba! Eu falei! Eu falei!
- É goooooooooooooooooooooooool!!
- É gol! É gol! É gol! É gol! É gol! É gol!

Saiu o gol, nos descontos. Festa no Bar do Náutico como pouco se viu antes. Ninguém se aguentou. Teve gente gritando. Teve gente subindo nas cadeiras. Teve gente se abraçando. Era quase um título. Era mais que uma vitória. Era uma ferida que se fechava. O tabu estava quebrado. Não. Não era pela vitória sobre o Grêmio após 21 anos. Ninguém se importava com isso. Era pelo que o Gremio representou nos últimos 6 anos e meio de nossa história. Era algo maior. Era a vitória que representava uma volta por cima, o fim de uma espera. Tínhamos que vencer assim. Nos descontos. Na raça. Na emoção.

17 de junho de 2012: o fantasma estava, finalmente, exorcizado.


quarta-feira, 13 de junho de 2012

O Timbu desencantou. Sobrou para o Botafogo.

Chegou o dia. O tão esperado dia de comemorar a primeira vitória. Uma primeira vitória que seria dupla, pois seria a primeira vitória do Náutico no campeonato e também a primeira vitória comemorada pela torcida no novo bar. Era domingo, 10 de junho.

- E aí galera, é hoje?
- Claro! Com "cerveja" tem que ser hoje. O adversário é o Botafogo. Então tem que ser hoje.
- Olha ele entrando aí em campo.
- Olha a escalação... Fábio Ferreira, Márcio Azevedo, Maicosuel, Renato, Andrezinho, Herrera... Huummmmm...sei não, hein?
- Oxê! Tudo banco se estivesse no Náutico. A gente hoje tem Souza e Rhayner.

Confiança total da galera no bar. Era a segunda partida em casa no campeonato e a boa impressão deixada após o primeiro jogo deixava a torcida esperançosa. O time parece que sentiu o bom ambiente e entrou bem. O Botafogo começou buscando o ataque, mas era o Náutico quem levava mais perigo, nas investidas rápidas de contra-ataque. Contrariando a tudo, foi justamente o Botafogo que quase abriu o placar num contra-ataque.

- Herrera sozinho. Derruba!
- Sai goleiro!
- Feliiiiiipeeeeee!
- Tentou a cavadinha, esse nojento. Mas Felipe estava atento.
- Que vacilo, deixaram o cara sozinho.

O jogo era lá e cá. Souza, Rhayner, Martinez e Araújo tabelavam com eficiência. Elicarlos teve boa chance de fora da área. Para fora. Mas depois não teve jeito.

- Agora, faz!
- Gooooollll!
- Golaaaaaço, meu velho!
- Araújo!!!! Desencantou.

E que golaço! Tabelinha bem feita de Souza para Araújo, para Souza, de volta para Araújo, corte no zagueiro e toquinho no cantinho, na saída do goleiro. O estádio explodiu. O bar incendiou. E o Naútico melhorou. Como fez bem fazer o gol. As investidas do Botafogo já não ameaçavam tanto. A defesa pegou confiança e o time cresceu ainda mais. Pouco depois, outro gol trabalhado:

- Vai, Auremir. Passa!
- Que passe!
- Vai, Rhayner!
- Olha o penalte! Olha o penalte!
- Passou!
- Gooooollllllll!
- Gooooollllllll!
- Gooooooooooooooooollllllllllllllllllllllllllllll!
- Foi de Lúciooooooo!
- Eneeeeeeeee....!
- A-u-tê-i-cê-ó!
- Ene-a-u-tê-i-cê-ó!
- Ene-a-u-tê-i-cê-ó!
- NÁUTICO! NÁUTICO! NÁUTICO!
- E o resto ....

Placar de sonho: 2 a 0 ainda no primeiro tempo. A torcida já dizia "Acaba juíz!" ou até mesmo "poderia ter só 45 minutos". Mas torcida escaldada tem medo de água fria. Também já começavam os comentários de alerta:

- O perigo é o intervalo! É Gallo mandar recuar.
- Recuar num jogo desse, jogando bem, não existe.
- Tem que prender Gallo e não deixar ele ir pros vestiários no intervalo.

Não deu outra. O time voltou a campo para o segundo tempo para jogar recuado e só contra-atacar. Ainda com dois minutos, a bola cruzada rasteira achou Márcio Azevedo, sozinho. Gol do Botafogo: 2 x 1. Pronto! o placar tranquilo já ficava perigoso muito cedo. O time ficou nervoso e o Botafogo cresceu. Aos 10 minutos, após erro de passe, Márcio Rosário, último homem da defesa, faz falta "salvadora" na meia-lua e é expulso. Pronto, o empate era questão de tempo.

- Isso é uma vergonha.
- O placar fácil do primeiro tempo está indo pro brejo.

Todos rezaram e a falta, na meia-lua, foi na barreira. A pressão continuava. O time não saia da defesa e só dava Botafogo. Cesar Marques entrou às pressas para recompor a defesa e, no seu primeiro lance.... gol de empate.

- Essa defesa não marca ninguém.
- Era Cesar Marques que estava marcando e deixou Fábio Ferreira cabecear.
- Olha o replay. Foi não. Foi gol-contra dele.
- Miserável!
- Olha ... de novo.
- Vai sair o terceiro! Tiraaaa!
- Quase.
- Meu irmão, a gente vai perder esse jogo.

Ninguém conseguia acreditar, mas o jogo tinha mesmo mudado completamente. O Botafogo era dono das ações, tinha um jogador a mais e chegava com perigo constantemente. Mas o jogo voltou a equiibrar, graças à justa expulsão de Márcio Azevedo, aos 25 minutos. O jogo, de novo, agora eram de 10 contra 10. Isso fez toda a diferença. Depois, nenhum perigo mais do Botafogo.

- Vai entrar Siloé.
- Vamos ver se agora vamos para cima.
- Pelo menos a pressão diminuiu.
- Agora vai entrar Romêro.

O time acordou. Começou a sair da defesa e o jogo ficou truncado no meio. Foi justamente aí que surgiu o lance decisivo.

- Bora, marca.
- Boa, meu zagueiro. Agora lança.
- Ahhh! Para ninguém. De presente para defesa deles.
- Eita, falhou!
- Vai, Derley!
- Faaaazzzzz!
- Gooolllllll!
- Goooooooooooolllllll!
- GoOoOolLlLlLlLlLlLl!
- GOOOOOOLLLL!
- Drible da vacaaaaa!!!!

Festa no Bar do Náutico! Timbu na frente novamente: 3x2.

- Ainda não acredito! Foi Derley mesmo que fez aquilo?
- Pode acreditar. Olha o replay aí!
- É um craque! É melhor que Messi!

Ainda eram 36 minutos, mas até os 48 do segundo, nenhum perigo. Fim de jogo e primeira vitória do novo Náutico.

- Alô, Thomas, por favor!
- Alô, sou eu mesmo.
- Escuta aí!
- Eneeeeeeeee....!
- A-u-tê-i-cê-ó!
- Ene-a-u-tê-i-cê-ó!
- Ene-a-u-tê-i-cê-ó!
- NÁUTICO! NÁUTICO! NÁUTICO!



Uma vitória com a cara do Náutico. Série A é isso. Que seja a primeira de muitas outras vitórias. Que venham as próximas!

quinta-feira, 7 de junho de 2012

No Rio de Janeiro, deu Vasco. Justo!

Era noite de quarta-feira, dia 06 de junho. O jogo cedinho, as 19h30. O trânsito era pesado, mas a torcida chegou. Em cima da hora, mas chegou.

- E aí, pessoal? Dá para ganhar hoje?
- Ganhar vai ser muito difícil, mas pelo um empate eu tenho fé.
- Derrota hoje é resultado normal. Time feito em cima da hora, enfrentando um time certinho como o Vasco...
- Que nada! Eu estou confiante. Até fiz uma aposta com minha esposa. Se o Náutico ganhar, vou tomar todas e, quando chegar em casa de madrugada, ainda vou lavar o banheiro.
- KKKK.
- Ah, então já entendi. Tu fizeste essa aposta porque não tá nem querendo lavar o banheiro. Por que não fez num jogo mais fácil?
- KKKKK.

A torcida tinha esperança, compareceu acreditando na possibilidade de um resultado positivo, mas estava ciente de que o adversário era favorito. Quando o jogo começou, os primeiros dez minutos aumentaram ainda mais a confiança.

- Boa noite, pessoal! Quanto tá o jogo?
- Um a zero Náutico!
- Deixa de mentira. Estou vendo o placar aqui no zero a zero. Mas está jogaando bem?
- Surpreendentemente, nestes primeiros 10 minutos, o Náutico está encarando o Vasco de frente. Está até com mais posse de bola.
- Sério?
- Está tocando bem a bola. Já chutou mais vezes a gol. O Vasco está meio devagar.
- Bora ganhar esse negócio!
- Agora, vai Kim! Uhuuuuuu!
- Boa jogada!

O tempo foi passando. Aos poucos a empolgação do Náutico começava a esfriar. O Vasco, que até então errava passes e só olhava o jogo, começou a marcar a saída de bola. O jogo foi mudando e o Vasco em pouco tempo já era mais perigoso.

- Que moleza essa marcação!
- Lúcio e Martinez estão perdidos.
- Estavam dizendo que Martinez estava comendo a bola nos treinos.
- Tem que botar Souza neste time. Nao existe ele ser banco.
- Olha para aí, tira essa bola, Ronaldo.
- Outra falta. Olha que perigo!
- Falta de Martinez de novo.
- Tirou! Boa, zagueiro!
- Lá vem de novo. Penalte.
- Penalte não. Se jogou.
- Devia ter levado amarelo esse Diego Souza.

O jogo começava a ficar perigoso. A defesa falhava na marcação e não tinha saída de bola. E foi num lance bobo que a derrota começou a se desenhar. Ronaldo Alves, sem opção de jogo, entrega para Derley, no fogo, de costas. Falha bizarra da dupla. Éder Luis roubou e tocou para Alecsandro, livre, tocar no cantinho: Vasco 1 x 0.

- Acabou-se o meio de campo.
- É, parece que o banheiro da casa de Fernando vai continuar sujo hoje a noite.
- Eita! Ninguém vai marcar não!
- Golaço do Vasco!
- Golaço nada. Frango de Gideão.

Era o segundo gol. Felipe de fora da área, dando um corte fácil em Kim e temdo "300 anos" sem marcação. Deu para ajeitar, pensar e mandar a bomba de curva. Sem defesa para Gideão. Até o final do primeiro tempo, só o Vasco jogou.

No segundo tempo, Gallo teve seu momento de lucidez: Souza, finalmente, entrava no time e, com ele, também Rhayner no ataque.

- Rhayner! Que grata surpresa. Está jogando melhor do que Kim.
- E Souza também entrou bem. Como pode ser banco nesse time?

Com a mudanças, o Náutico parecia outro time no segundo tempo. Toque de bola voltou a funcionar e as chances começavam a aparecer. Souza distribuía bem o jogo e Rhayner se movimentava com velocidade.

- Olha a mensagem que acabei de receber no celular: "Esse Souza é muito ruim".
- Oxe! O cara entrou muito bem.
- Olha que boa jogada!
- Cruza, Lúcio!
- Agora!
- Pegaaaaaaaa!
- Uhuuuuu!
- Que defesa de Fernando Prass!
- Foi Rhayner que cabeceou.
- Muito azar não fazer esse gol. Iria pôr fogo no jogo.

O segundo tempo realmente estava para o Náutico. Vaias começavam a ser ouvidas em São Januário. As chances começavam a ser criadas, mas faltava justamente a qualidade para botar a bola para dentro. Qualidade de sobrava ao Vasco. Pouco tempo após a chance de gol desperdiçada do Náutico, num dos poucos ataques do Vasco, a chance foi criada e aproveitada com eficiência. Bola de pé em pé: Alecsandro para Diego Souza, este para Juninho e de Juninho para o gol. Belo gol. O Vasco não atacava, mas quando fez, foi mortal: 3x0. Placar que, praticamente, definia a partida.

- Pode pedir outro arrumadinho que agora a coisa está feia.
- Olha aí! Faz, Martinez!
- Goooooll!
- Golaço!
- Que gol arretado!

O Náutico diminuia. Seria até uma maldade, depois do bom futebol do segundo tempo, não fazer pelo menos um gol. Gol de Martinez, que no segundo tempo havia crescido de produção com todo o time.

- Bora que ainda dá tempo até de empatar.
- Tem que permanecer em cima.
- Só não pode vacilar.
- Foi só falar. Olha a merda.
- Juninho perdeu cara a cara.
- Bora, Náutico. Bola para Rhayner.
- Isso!
- Esse é outro que entrou bem.
- Outro passe errado.
- Sai, Gideããão!
- Gol do Vasco.
- É brincadeira, hein?

O Vasco fazia 4x1 e voltava a tranquilizar o jogo e a vitória. A partir daí, o Vasco valorizava a posse de bola. O Náutico seguia tentando e levando contra-ataques. Duas grandes chances surgiram. Ambas com Araújo, que, assim como nos jogos passados, as desperdiçava. De tanto insistir, Araújo, recebendo passe de Rhayner, finalmente (ALELUIA! ALELUIA!), driblou o goleiro e deu números finais a partida: 4x2.

- É Gol! Agora sim. Pelo menos não é mais goleada.
- Se considerar que essa derrota era normal, pelo menos foi de 2 gols apenas.
- Eita! Que torcedor conformado é esse?
- Não é conformado, não. É a realidade. As contratações foram boas, mas os jogadores contratados chegaram tudo agora. Vai demorar ainda para esse time engrenar.
- Acabou. Pensando dessa forma, perder de 4x2 é melhor do que 2x0.
- Sim, mas tem que começar a ganhar, engrenando ou não. Se não, vai ficar difícil.

Terminava a terceira partida do Náutico com Brasileirão. A segunda derrota. Agora serão duas partidas seguidas em casa. Domingo já tem o Botafogo. É hora de começar a vencer. Se a primeira vitória virá domingo, não sabemos. O certo é que o Bar do Náutico estará cheio novamente. Aliás, como sempre!

domingo, 27 de maio de 2012

Timbu joga bem, mas fica no 0x0 com o Cruzeiro

26 de maio de 2012, noite de sábado, segundo jogo do timba no Brasileirão e a torcida chegando.

- Saudações alvirrubras!
- Olha a hora, Júnior!
- Pensando que eu não vinha? Eu quero saber do inimigo!
- Que inimigo?
- O cruzeirense que Ádley iria trazer.
- Ele disse que vinha. Acho que daqui a pouco chega.
- Ele ficou foi com medo de vir. Tu disseste que galera era braba. Que tinha um tal de Fernando meio esquentado...
- Hahahahahaha!
- E aí, Thomas?
- Ele não pode falar. Está ocupado comendo o arrumadinho.
- Hahahahaha...
- Deixa um pouco para gente aí, Thomas!
- Esse Júnior já chega fazendo graça. Pega logo a cerveja aí para gente.
- Pega duas.
- Brahma ou Skol, Alexandre?
- A que estiver mais gelada.



A turma se divertindo e tudo rolando muito bem. Mais alvirrubros chegando e começando a encher o bar, quando surge o primeiro momento de tensão.

- Ei, cadê o jogo? Já está na hora.
- Pronto, já está no canal.
- E cadê o sinal?
- Tenta o mosaico!
- Olha aí, começou o jogo pelo mosaico e não está passando no canal.
- Deixa no mosaico mesmo.
- Olha a recuada pro goleiro. Tomou. Faaaaazzzzzz.
- Perdeu!!!
- Quem foi?
- Cleverson que tomou do goleiro e se enrolou.
- Ver nesse mosaico é ruim demais.

Estava difícil ver o jogo, mas a solução do problema estava chegando.

- Boa noite! N-A-U-T-I-C-O!
- Fala, Roberto!
- Ué, cadê o jogo?
- Está assim hoje. Passando só no mosaico.
- Bora para a outra TV, que lá deve estar passando.
- Tem isso não. É uma assinatura só. Se não passa aqui, também não passa lá.
- Então tá.
- Olha o jogo!
- Boa jogada de Auremir! Toca! Toca!
- Cruza, Cleverson!
- Agorrraaaaa!
- Goool!
- Não! Para foraaaaaa!
- Era só parar a bola.
- Chegou Eduardo. Olha a hora Eduardo!
- Boa noite. Está tendo algum problema na TV?
- Hoje está passando só no mosaico.

Quando, de repende, o segundo momento de tensão.

- Eita, apagou o mosaico.
- É porque o mosaico só fica alguns minutos.
- Ferrou!
- Liga para a NET! Liga para a NET!
- Eu já falei. Bora testar a outra TV.
- Tem nada a ver não, mas só por desencargo de consciência... Liga a outra TV aí, Gustavo.
- Está passando aqui!
- Eu não falei! Eu não falei!
- Esse Roberto entende das coisas mesmo.
- Bora todo mundo levar as mesas para o outro salão.
- Não esqueçam as cervejas!

Todo mundo correndo para o outro salão, onde o jogo passava perfeitamente. Eram vinte minutos de jogo e bastante equilíbrio. Muitos erros de passe dos dois lados. Jogo feio, mas nem por isso, sem emoção. Era lá e cá. O Náutico já havia criado suas chances e o Cruzeiro marcava a saída de bola.

- Bora, Ronaldo Alves, não brinca!
- Olha que bola osso!
- Lá vem o Cruzeiro!
- É nossa.
- Não! Deixou ele passar.
- Ficou com Glaydson.
- O que é isso? Nããããooo.
- Defesaça de Gideão!
- Isso é uma irresponsabilidade! Como é que Glaydson corta uma bola dessa para frente da área?!
- Deu uma passe para Sousa.
- Sorte que ele bateu fraco.

Fim do primeiro tempo. Destaque do primeiro tempo: Derley, que completava 150 jogos no Timbu e anulava Montillo com eficiência. Voltando ao bar, a galera aproveitou o intervalo e começou a operação "levar tudo de volta". Mesas, cervejas, tira-gostos... tudo voltando para o salão oficial do Bar do Náutico, mas, desta vez, levando também o decoder que estava funcionando. Todo mundo reacomodado. Começou o segudo tempo.

- Entrou alguém?
- Sim. Sousa e Rainer.
- No primeiro tempo só faltou um matador, faltou um "Kiesa".
- Seria um bom ataque: Araújo e Kiesa.
- Já vamos ter um parecido: Araújo e Kim.
- Hahahahahaha.
- Quem é Kim?
- Um que foi contratado hoje.
- Ah, tá.
- Bola parada para gente!
- Vai sair o gol agora!
- Bora, Marlon, faz o teu de cabeça!
- Gooolll... para foooora!
- Caramba! Como perde um gol desse.
- Foi Araújo, S-O-Z-I-N-H-O!
- Esse Araújo é bom. Indiscutivelmente um bom reforço, mas perde muito gol.

O segundo tempo foi bem diferente do primeiro. Diferente para melhor. O Cruzeiro já não marcava tanto a saída de bola. Recuou e ficava só esperando o contra-ataque. O Náutico dominava o meio de campo, mantinha a posse de bola e, dentro de suas limitações, criava (e perdia) as melhores chances.

- Faltaaaaaaaa! Essa é para Sousa.
- Vamos, garoto! Bota no ângulo!
- Uhuhuuuuu!
- Quaaaaaase!
- Grande defesa do goleiro! Se fosse um pouco mais para o canto entraria!
- É escanteio agora.
- Cortou a defesa.

O Cruzeiro se segurava como podia. Roth fez alterações para colocar o time mais à frente, mas a defesa do Náutico não passava sustos. O Náutico ja merecia o gol, mas faltava quem botasse a bola para dentro.

- É agora!
- Araújo!
- Perdeu! De novo, velho!
- Olha a sobra!
- Faz, Derley!
- Furou!!!


O Náutico era valente. Tentava de todas as formas, mas a bola não entrava. E assim terminava o segundo jogo do Náutico no Campeonato Brasileiro, o primeiro em casa: 0x0. Poderia ter vencido, mas pontuar neste momento em que o time ainda está sendo montado é fundamental. Então dos males o menor. Para quem estava pessimista, ficou claro que aquele Náutico de pouca técnica de um ou dois meses atrás, já não existe mais. O time mudou muito (para melhor), só falta entrosar mais.

Já, no bar, o de sempre: galera entrosada, sempre animada e sem querer ir embora. Cerveja, tira-gosto, bate-papo e muita descontração. Que venha o Vasco, pois a turma estará no bar novamente.



sexta-feira, 18 de maio de 2012

Obrigado, João!

Sexta-feira, 18 de maio de 2012.

- Triimmm! Trrimmm!
- Alô.
- Oi, Júnior. É o João.
- Fala, grande João!
- Amanhã já começa o campeonato. Vocês vem para cá?
- Eita, João, nem te liguei antes, ó. Tenho más notícias.
- Jura?
- É o seguinte. A torcida cresceu muito no último ano e já está crescendo este ano. O espaço ficou pequeno e a gente acabou montando uma nova sede. A galera já está combinando de assistir os jogos lá.
- Pôxa. Eu gostaria muito que vocês continuassem aqui. Foi alguma coisa que eu fiz de mal ou tenha ofendido vocês?
- Não, João. De forma alguma. O Bar do João foi um local onde fomos muito bem recebidos. A mudança é mais em função do crescimento da torcida. O espaço já estava ficando pequeno e a galera já comentava que seria importante um pouco mais de conforto para poder levar as esposas e filhos, mais opções no cardápio, privacidade... Essas coisas.
- Onde vocês vão assistir o campeonato?
- A torcida do vai se reunir no Recanto Baiano, já batizado de Recanto Alvirrubro.
- Tudo bem. Fico triste, pois gostava de vocês aqui, mas entendo.
- De certa forma, nós também. Não fique chateado, pois, como disse, a mudança é consequencia do natural do crescimento mesmo. Nada pessoal.
- Entendo. Qualquer coisa, então, é só lembrar do seu amigo João. Estarei aqui.
- Obrigado por tudo.
- Tchau!
- Tchau!

Um ciclo se encerrava. O Bar do João, durante os anos de 2010 e 2011, e mais o início de 2012, foi a casa de todos os alvirrubros em Manaus. Um local simples, mas que sempre esteve de portas abertos para a torcida timbu.


No do Bar do João não tinha tempo feio. O Náutico podia jogar as 21h00 de uma terça-feira, as 15h de um sábado, as 19h30 de uma sexta-feira ou, até mesmo, as 20h de um sábado chuvoso que, mesmo assim, o bar abria e o telão era nosso. Até mesmo quando um "almoço-festa" de confraternização de uma empresa que lotava o bar se estendia até a hora do jogo do timbu, nosso cantinho no bar estava reservado.


Lá torcemos, gritamos, xingamos e comemoramos muitos gols. Foram muitas vitórias e algumas derrotas. Muitas e muitas alegrias, mas foi lá, principalmente que a torcida timbu se encontrou. Foi lá que Manáutico começou e que muitos novos amigos alvirrubros se conheceram e se juntaram, formando um grupo mais do que forte e consolidado.


Por isso, João, não fique triste! Somos muitos gratos a você. Você faz parte da história da nossa torcida. Muito obrigado por tudo!

domingo, 13 de maio de 2012

O dia do aniversário

"O dia do aniversário"


O Sport não perdeu nenhum clássico este ano.
Perdeu hoje, no dia do aniversário.

O Sport tinha o artilheiro do campeonato.
Não tem mais, no dia do aniversário.

O Sport não perdia finais em casa há 25 anos.
Perdeu hoje, no dia do aniversário.

A torcida passou a semana fazendo festa.
Parou de fazer, no dia do aniversário.

Vai ter festa hoje na Ilha?
Não vai mais, no dia do aniversário.

O Sport nunca foi campeão no dia do aniversário.
Continua não sendo hoje, o dia do aniversário.

segunda-feira, 30 de abril de 2012

O milagre não veio, mas o bar estava cheio

29/04/2012: fim da linha para o Timbuzinho no campeonato estadual. Final oficialmente, porque, na realidade, o campeonato havia acabado para muitos há uma semana atrás. Tudo começou no domingo passado quando Ricardo (Ladrão) Tavares apitou o fim do primeiro jogo da semi-final:

- Terminou.
- Perdemos em casa por 2x1. Vamos ter que ganhar fora.
- Dá não. Domingo a gente vem de novo pro bar, né?
- Venho nada.
- Também venho não.
- Eu venho.
- Eu me junto a vocês e não venho. Acabou para mim também.
- Eu não acredito na virada, mas venho.
- Eu não vou.
- Pelo jeito vai ter só uns gatos pingados no bar no próximo domingo.

A semana foi passando. A turma foi trocando e-mails e o que se viam eram poucas confirmações. Fracasso certo de público no Bar do Náutico.

Chegou o domingo, o dia do juízo final para o timbuzinho abandonado à própria sorte por sua torcida. Chegam os primeiros torcedores:

- Saudações alvirr... O que? O que estás fazendo aqui, rapaz?
- Eu não vinha, mas não consegui ficar em casa.

E quem disse que a torcida conseguia ficar em casa. E foi chegando mais gente. Quem disse que não iria comaparecer, apareceu. Depois chegou outro e mais outro. Pronto! Bar do Náutico de novo cheio. Essa torcida do Náutico é realmente apaixonada demais. Até quando ninguém mais acredita no time, até quando os torcedores dizem que não querem mais saber, a paixão fala mais alto.

A torcida chegou com 1% de esperança. Depois da segunda cerveja, a esperança já era de 30%. Quando o juíz apitou o início do jogo, o time já era o melhor do mundo.

- Bora, timbu!
- Aperta, aperta.
- Isso, Derley.
- Agoraaaa! Quaaaaase!

Primeiro lance de perigo, com um minuto de jogo. Náutico jogando no campo do adversário que só se defendia, confiando na larga vantagem. Uma chance, duas, três... todas desperdiçadas.

- Está faltando atacante, Velho! Depender de Siloé para fazer gol é pau!
- De que adianta, criar tanta chance e não fazer.
- Uma coisa é certa. Mesmo se não ganhar, o time já parece ser outro com Gallo.
- Para mim, a melhor mudança não foi mérito de Gallo, foi a saída do cachaceiro-sanguessuga do Eduardo Ramos.
- É verdade.
- Agoooorra. O zagueiro caiu. Faaaaaaaz!
- Chuta, po!
- Uhuuuuuu!
- De novo!
- Po... Filha da p...! Acerta esse pé.

O primeiro tempo terminou com domínio territorial do Náutico e algumas chances claras de gol. O adversário o tempo todo retrancado com três zagueiros e três volantes, confiado na ineficiência do ataque alvirrubro. Se por um lado, o time atacava com a maior vontade do mundo, de igual tamanho era a dificuldade para finalizar, tabelar e envolver o adversário.

- Gostei do primeiro tempo.
- Perdemos chance demais. De que adianta?
- O que eu mais gostei do primeiro tempo foi desse sarapatel!
- Hahahahahaha!
- Aí é unamidade!
- Hahahahahaha!

No primeiro tempo foram sete escanteios a favor e nenhum contra. O Náutico chegava ao seu limite técnico. Esperar mais do que aquilo, era saber que o futebol sempre podia pregar surpresas. Essa era a esperança. Mas o segundo tempo não foi como o primeiro. O domínio não foi mais o mesmo. E o adversário, coitado, que só não era tão ruim porque o Náutico conseguia ser ainda mais, até saiu para o ataque, marcou a saída de bola e acabou com o jogo do Timbu. Gallo ainda resolveu "colaborar" tirando o único meia de ofício do time. Daí para frente, o jogo passou a ser de chutão para frente. Do goleiro para o zagueiro e, deste, lançamento direto para Dorielton matar de canela.

- Dá não, veio. Com esse toque de bola triste, pode jogar até amanhã que não faz gol.
- Se brincar, vai acabar tomando um de contra-ataque.
- Duvido que a gente faça um gol.
- Agooooorrra.
- Vai.
- Chutaaaa!
- Goooooooooolllllllllll!
- Goooooolllllllllllllllllllllll!
- Gol de Souza!!!!
- É Gooooooooooollllll!
- Anulou!
- Não acredito!
- Táquipariu!
- Olha o replay!
- Gol legítimo! Bando de ladrão!

O tempo passou, o time lutou, mas o gol não saiu. E tinha que ter saído pelo menos dois. Não deu. Fim de jogo.

- A gente já esperava. Eu só vim para poder tomar uma com os amigos.
- O time fez o que podia fazer. Lutou até o fim.
- Mas não dava para jogar mais do que isso. A gente até torceu, mas o time é esse aí. Tem que mudar muita coisa para o Brasileirão. Por mim só fica Gideão e Derley.
- E Souza também.
- E os zagueiros.
- E Elicarlos, não?
- E só. Pode mudar o resto tudinho.
- Só não pode mudar uma coisa: essa nossa torcida.
- Falou e disse.
- Quando começa o Brasileirão mesmo?
- Dia 19, sábado, 8 da noite, horário de Manaus: Figueirense x Náutico.
- Já está mais do que confirmado.

domingo, 22 de abril de 2012

Podia ter sido melhor: 1x2

22 de abril, descobrimento do Brasil e início das semi-finais do Campeonato. Nos últimos quarenta dias, o Náutico havia feito três gols pelo Campeonato Pernambucano. Nos últimos trinta dias o Náutico havia vencido apenas um jogo no campeonato. Neste mesmo campeonato, iniciado em janeiro, o Náutico, time que vai disputar a Série A do Campeonato Brasileiro, não venceu nenhum time que esteja acima da Série D, isto é, nenhuma vitória contra times de Série C ou A. Quatro clássicos foram disputados e nenhum vencido. Se considerar o Salgueiro, este ano, também como clássico, então, foram seis clássicos, quatro derrotas e dois empates.

Diante de tudo isso, dava para sonhar com alguma coisa na semi-final do campeonato? Sendo racional, não! Mas torcedor de verdade pode ser tudo, menos racional. E por isso mesmo nós estavamos lá. Bar do Náutico mais uma vez cheio. Era bonito de ver. Amigos, esposas, filhos, todo mundo no bar reunido para torcer, mesmo que o time não desse tantas esperanças. Mas só a presença da galera já parecia mudar o clima, e, de repente, a desconfiança deu lugar a esperança.

Começou o jogo. O líder da primeira fase jogava atrás e o timbuzinho, jogando em casa, era que buscava o jogo.

- O time aprendeu a jogar bola de uma hora pra outra foi?
- Não é possível que Gallo tenha feito tanta diferença.

Uma chance perdida. Outra. E mais outra.

- Está faltando um cara para botar essa bola para dentro.
- Calma que esse gol vai sair.
- Nãããoooo! Deixou Jael sozinho!
- Sai Gideão! Sai Gideão!
- Gideãããããããoooo!
- Goleiro arretado!
- Jael tocou certinho, no canto e rasteiro e o goleiro voou certo.
- Vamos ganhar essa p...a!
- É só marcar direi,.... Putz!
- Gol da coisa.
- Que merda. Como deixa Marcelinho receber na cara do goleiro?

Era metade do primeiro tempo e a velha máxima do futebol: quem não faz leva. E agora? Tinha que virar o jogo, pois nem o empate interessava. Veio logo em mente a campanha dos últimos jogos. Daria? A história começou a dizer que sim.

- É falta. Tem que cruzar essa bola direito.
- É Souza.
- É goooollll!
- Goooolll!
- Gooolllllll!

Era Ronaldo Alves empatando de cabeça. Tudo igual. Mas não deu tempo nem de comemorar. Um minuto depois.... penalte. E lá ia o artilheiro do campeonato para a cobrança. E agora?

- Manda o gandula esperar a bola lá no Country.
- Essa vai longe. Vai longe!
- AêEêÊêÊê!
- Gideãããããooooo!
- Goleiro da gota serena!

Gideão defendia o penalte com pé. O bar explode novamente. O Náutico escapava. Acabara de empatar e o adversário perdia um penalte. Era ter os nervos no lugar. Chegava o último minuto do primeiro tempo. Bolaça de Ramón para Tiuí e falta na meia-lua. Souza na cobrança!

- É agora. Vou já preparar a musiquinha!
- Vai Souza!
- Goooolllll!
- Não!
- Não?
- Bateu na trave e rolou em cima da linha.
- Goleiro cagado! A bola ainda passou atrás dele.
- Se ele se mexe, a bola batia nele e entrava.

Fim do primeiro tempo. Pausa para mais uma cerveja. Para mais outra cerveja... Está bom, para muitas cervejas mesmo. As crianças brincavam, as esposas conversavam e os pais... os país vocês já sabem. O Náutico jovaga um futebol que não víamos desde o começo do ano. Parecia que era dia.

Começou o segundo tempo da mesma forma como terminou o primeiro. O adversário buscava somente o contra-ataque e timbu em cima. Em um desses contra-ataques, o lance que mudou o jogo. Elicarlos derruba o adversário e mata contra-ataque no meio de campo. O juíz dá a falta e mostra amarelo, o segundo amarelo. Elicarlos expulso.

- Que juíz ladrão! O primeiro amarelo ele deu no lance do primeiro tempo em que foi penalte e ele deu simulação.
- Roubo descarado.
- Agora complicou. Tem 35 minutos de jogo ainda.

Com um a menos, o timbu não parou de atacar e criou duas chances seguidas. Uma delas defendida no susto pelo goleiro. Mas a pressão só durou 10 minutos. Com um menos e correndo muito em busca do ataque, o time começou a cansar e o adversário a ter mais posse de bola. Aos poucos se via o adversário saindo da defesa, tocando a bola e chegando ao ataque. O Náutico, aos 20 minutos, parecia pregado, só dando chutão e afrouxando a marcação.

- Caramba! O time pregou!
- Jogar com um a menos, tendo que vencer é dose.
- Olha para aí que espaço.
- Vai deixar chutar?
- Tira essa bola!

Perto dos trinta minutos, os comentários já era de que o empate estava de bom tamanho.

- Desse jeito vai acabar tomando o gol.
- Tira essa bola!
- Que defesaça de Gideão.
- Cara, tem que voltar a atacar.
- Não dá. O time já está morto.
- Penalte!
- Foi não.
- Penalte claro.

Sem pernas para correr e forças para atacar, o time cometeu mais um penalte. Aí querer que Gideão pegasse de novo era sonhar demais. Mas ele quase pegou. Marcelinho bateu forte, Gideão tocou nela, que bateu caprichosamente na trave e entrou.

Pronto. Era 2x1, no dia em que o time voltou a jogar bola, a expulsão e o mal preparo físico falaram mais alto. Daí para frente, o tempo foi passando e nada de mais aconteceu.

Fim de jogo. Clima de decepção. Sim, o sentimento era de que dava para ter sido melhor. Não esperávamos muito antes, mas, durante a partida, percebeu-se que o time lutou, foi guerreiro e teve muita chance de vencer, principalmente no primeiro tempo..

- E agora? 2x0 na ilha?
- Dá não.
- Não ganhou em casa, vai ganhar lá, e de 2x0?
- Não dá. Perdemos, mas nem por isso vamos ficar em casa.
- É mesmo. Vai ter cerveja aqui domingo?
- Vai.
- Então estaremos aqui. Não somos ratos, somos timbus!
- É isso aÊÊêÊÊêÊÊ!
- Eneee.....
- ...A-U-T-I-C-O!
- N-A-U-T-I-C-O!- N-Á-U-T-I-C-O!
- NÁUTICO! NÁUTICO! NÁUTICO!

Isso que é uma torcida.

domingo, 8 de abril de 2012

Aniversário do Timbu e Bar do Náutico de casa nova

07/04/2012, através da parceria entre a Confraria Manáutico e o Recanto Baiano, o Bar do Náutico agora mudava oficialmente de endereço. A partir desta data, o cantinho mais baiano de Manaus (Bar Recanto Baiano), passou a ser também o recanto de todos os alvirrubros. A inauguração foi planejada há dois meses, não por coincidência, para o dia de aniversário do Náutico. Nada melhor que fazer uma festa para comemorar a inauguração do novo bar, exatamente no dia do aniversário do clube, assistindo a mais um jogo do timbu.

Bolo vermelho e branco em alusão aos 111 anos
A fase do time não empolgava, mas a torcida compareceu em peso para a festa de inauguração. No cardápio, arrumadinho de charque, acarajé, cerveja gelada do tipo "canela de pedreiro" e bolo vermelho e branco com as velinhas de 111 anos. O adversário, o Serra Talhada. Um time do sertão que iria ao Recife, em condições normais, apenas para ser coadjuvante na festa. Iria...

- Esse é jogo para voltar a vencer.
- É para vencer bem e começar uma nova fase em busca do título.

Antes do jogo, os comentários da torcida já denunciavam a má fase técnica e tática do time, ao mesmo tempo que demonstravam a confiança no reencontro com as vitórias. Ninguém se importava "tanto" com a derrota no evento de pré-inauguração (1x0 para o Santa Cruz), realizado no domingo anterior. Afinal, o dia era de festa.

Pré-inauguração do novo Bar do Náutico, no domingo, 1º de abril
 E o jogo começou bem. Logo de cara, duas boas chances.

- Olha o gol. Olha o gol de Siloé!
- Para foooora!
- Acerta esse pé!
- Agora, é para fazer!
- Perdeu!
- Quem chutou?
- Eduardo Ramos.

Foram sete minutos de pressão e bom futebol. E só!

Aos oito minutos, gol do Serra Talhada. Stanley, de cabeça, completando a tabelinha de cabeça dentro da pequena área. Depois disso, o que se viu foi um futebol bizarro. Um time perdido, sem criatividade, errando passes de meio metro. Até o fim do primeiro tempo, as boas chances de gol foram todas (pásmem!) do Serra Talhada.

- É rapaz! É com esse time que vamos jogar a Série A?
- Exatamente. E falta só um mês e meio para a estréia.
- Mas o que é isso?
- Gol do Serra Talhada!
- Não acredito! Gol contra de Gideão!
- Não é possível.

E fim do primeiro tempo. No estádio, ecoavam as vaias, e, em Manaus, a torcida já nem acreditava no que via. Ainda esperávamos a virada no segundo tempo, mas, bastaram oito primeiros minutos do segundo tempo para que galera começasse a ficar mais preocupada com o arrumadinho de charque do que com o jogo em si. Todo lance era uma piada

- Boa bola, vai Léo!
- Kakakaka, a bola saiu pela lateral!
- Waldemar vai mudar, vai entrar Phillip!
- Hahahahahaha! Agora é que a gante ganha!
- Esse time do Serra Talhada é ruim demais. Está ganhando só de dois.

E quando nnguém mais esperava...

- Penalte!
- Foi não. Foi na bola.
- Pára com isso. O juiz marcou.
- Para mim foi na bola.
- Não. Foi no pé dele. Penalte claro.
- E agora? O cobrador oficial é Souza, que não está em campo.
- Eduardo Ramos ou Siloé que vai bater?
- Eita. É Marlon. Meu Deus do Céu!
- Goooooollllll!
- É isso aí!
- É goooolll. Vai começar a virada. Tem 15 minutos ainda.

Era o primeiro gol do Náutico depois de quatro jogos sem marcar. Talvez, por isso, era sábado de aleluia. Havia tempo para virada, mas a tão esperada pressão foi inócua. Nenhuma grande defesa do goleiro adversário até que o juíz apitou o fim de jogo. 2x1.

- Estamos mal.
- Hoje foi teu fim Waldemar.
- Depois de hoje tem que cair mesmo. Tem jeito não.

Não foi a festa que torcida queria. Então, por isso, não faltavam motivos para afogar as mágoas. Televisão desligada para esquecer o jogo e outra cerveja gelada na mesa...  depois outra... depois outra e mais outras.

- Júnior, bota um frevo aí!
- É pra já!
- Só a nata do frevo!
- Mais um arrumadinho de charque aqui na mesa.
- Ei, vamos cortar o bolo, pessoal!
- Oba, vamos sim! Mas sem parabéns, por favor!

domingo, 5 de fevereiro de 2012

E terminou no empate o "Clássico das Confusões"

O dia é 4 fevereiro de 2012. Dia de Náutico x Santa Cruz pelo Campeonato Pernambucano com transmissão na TV para todo o Brasil. Então, como não poderia deixar de ser, o Bar do Náutico voltou a abrir as portas para a torcida alvirrubra em Manaus.

- Chicooooooo! Tudo bem.
- Oi, Júnior! Já vai começar o jogo?
- Exato, daqui a pouco começa.
- Vou logo colocando o telão, então.
- Antes disso, desce a primeira, por favor!
- Skol ou Brahma?
- A mais gelada.

Tudo voltando ao normal. Após alguns meses de "recesso", nada melhor que um clássico para retomar os "trabalhos" dos alvirrubros no bar. O jogo começou com domínio total do Náutico. Boas jogadas no ataque e um caminhão de gols perdidos. A vitória no primeiro tempo só não veio devido à atuação do árbitro, que prejudicou o Náutico nitidamente dando um gol de presente ao adversário. Mesmo assim, ao final do primeiro tempo, o placar de 1x1 acabou sendo pouco para a boa atuação do Timbu.

- Cheguei!
- Oi, Edmilson! Chegando no intervalo, rapaz!?
- Pois é! Na hora que iria sair de casa deu um previsto. Como está o jogo?
- Está 1x1. O Náutico mandou no jogo, mas perdeu muitos gols. Logo no começo foi Diego Bispo, na entrada da pequena área, que perdeu um gol feito. Depois tiveram logo duas faltas batidas por Souza que o goleiro salvou.
- Pôxa! E mesmo assim ainda tomou um gol.
- Sim, isso tudo em menos de 10 minutos. Aí num contra-ataque rápido, Cascata tocou para Souza que recebeu na entrada área e foi derrubado, mas o juíz não deu a falta e considerou que Souza deu passe de volta para Cascata. Marcou impedimento dele.
- Uma falta logo na entrada da área, com a fase em que Souza está, seria praticamente um penalte.
- O pior não foi nem isso. O juíz marcou impedimento e o time todo correu para cima dele. Nisso, o Santa fez a cobrança rápida enquanto o time falava com o juíz, pegou a defesa toda aberta e acabou fazendo o gol.
- Aí é para arrombar. Não deu a falta e ainda levou o gol.
- Depois, Cascata recebeu de Jeferson na área e girou bonito. Um golaço, no cantinho.
- Gosto do futebol dele.
- Ele jogou bem, mas depois perdeu dois gols incríveis. Um, numa jogada pela esquerda. Ele recebeu na pequena área, mas a bola escapou e acabou ficando nas mãos do goleiro que já estava caído. E o segundo, num cruzamento da direita que Eduardo Arroz foi cortar e acabou dando um presente para ele, na marca do penalte, sozinho. Ele foi bater de primeira e jogou por cima.
- Vai começar o segundo tempo agora. Se continuar jogando assim, ganha.
- Vamos torcer.
- Chico, mais outra gelada!

A boa atuação do primeiro tempo deixou a torcida esperançosa por uma vitória. Mas o jogo, no segundo tempo, foi bem diferente. O adversário voltou do mesmo jeito, jogando no contra-ataque, porém o Náutico, apesar de tomar a iniciativa do jogo, já não tinha mais a mesma desenvoltura no ataque e as boas jogadas custavam a sair. Foram 15 minutos buscando o gol e esbarrando na boa marcação do Santa Cruz, até que a defesa, de novo, foi pega de surpresa.

- Olha para aí!
- Tudo aberto.
- Tira! Tira!
- Gol do Santa Cruz.
- Gol contra de Elicarlos.
- Não tinha muito o que fazer. Ele foi tentar cortar e acabou botando para dentro.

A situação ficava complicada. Eram 20 minutos do segundo tempo e tendo que correr de novo atrás do placar, já sem a mesma força do primeiro tempo. Mesmo assim, as chances do empate apareceram. Siloé teve sua chance de cabeça, mas perdeu. Depois Derley, da entrada da área, recebendo bom passe de Eduardo Ramos e bateu para fora. E, na melhor de todas as chances, cobrança de escanteio pela esquerda, a zaga não cortou e a bola sobrou para Derley que encheu o pé. A bola bateu nas costas de Léo, dentro da pequena area, desviou e bateu no travessão.

- É, Edmilson, a coisa está feia.
- Vamos perder a invencibilidade.
- Se considerar só o Santa Cruz, a última derrota em casa foi em 2005.
- 47 minutos já. Faltam 2 só.
- Bola para área.
- Droga!
- Deu penalte!!!!
- Penalte!
- Olha o replay.
- Para mim não foi nada.
- Isso foi para compensar o roubo do primeiro tempo.
- Vai, Souza! Vai, Souza! Vai, Souza!
- GGGGOOOOOOOLLLLL!
- GGGGOOOOOOOLLLLL!
- GGGGOOOOOOOLLLLL!
- Acabou o jogo. Bem na hora!
- E agora tome confusão, ó! Jogadores do Santa revoltados. Torcida do Náutico insatisfeita. Jogadores discutindo com a torcida.
- Eita, até Waldemar discutindo no alambrado.

Foi por pouco. Dos males o menor. Apesar de escapar da derrota no fim, o empate trouxe uma sensação amarga de que a vitória poderia ter vindo, principalmente pela atuação do primeiro tempo. Valeu pela manutenção da invencibilidade nos Aflitos e, principalmente, pelo reencontro com os amigos no Bar do Náutico. E como é bom poder voltar a dizer:

- Chico, bota mais uma gelada!